30 de dezembro de 2013

República da Corruptocracia

Em 2014 vamos eleger deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente da república. Não sou contra a política, porque a política é a essência da democracia e sem democracia o que fica é o autoritarismo puro, que impede a sociedade de avançar, tira do povo o direito de sonhar e solapa do país qualquer possibilidade de progredir. Não concordo com a generalização sobre os políticos, de que todos são corruptos. Temos gente muito boa na política brasileira, gente que pensa grande, que pensa na justiça social, numa sociedade igualitária. Temos sim, e olhem, não são poucos. Eu conheço vários políticos que honram cada voto que recebem. Mas é preciso que o povo esteja de olhos bem abertos, que se informe, que aprenda a ler na expressão facial de cada candidato o que ele pensa e se o que externa é realmente sincero. Não é difícil perceber até onde vai a farsa de um discurso. Não esperem em nenhum deles , rasgos de sinceridade como as do impagável Justo Veríssimo, uma das criações mais espetaculares de Chico Anysio, pra mim, o maior humorista que este país já teve. É um personagem,e portanto, qualquer semelhança com alguém que julgamos conhecer, será mera coincidência. Ou não:

29 de dezembro de 2013

Belchior está fora da casinha

O  meu amigo João Ivo Caleffi postou   no face uma nota sobre Belchior (com link para a notícia da revista Época), que me deixou meio pra baixo. É isso aí:  o genial autor de canções maravilhosas como A Divina Comédia Humana , Paralelas , Galos, Noites e Quintais e Pequeno Perfil de um Cidadão Comum está numa pior. Vive escondido, ameaçado de prisão, por conta do não pagamento de pensão alimentícia. Está um trapo. Dizem os amigos e parentes do genial cearense, que ele é vítima de uma paixão doida, por uma ex-militante de esquerda , com quem vive escondido em Porto Alegre, curtindo o lado trágico da sua “Divina Comédia Humana”.
Estaria Belchior e sua musa vivendo sua utopia, ou curtindo o desencanto que o capitalismo selvagem lhes trouxe? .
Belchior , destaca a revista Época “é um artista com vasta cultura, domina cinco idiomas, conhece filosofia e gosta de física quântica. Até os anos 2000, lançava em média um disco por ano. “Ele era uma máquina, chegava a fazer três shows por noite. Era uma pessoa completamente dedicada à carreira”, diz o parceiro e ex-sócio Jorge Mello.

Tive o privilégio de recepcionar Belchior na TV Tibagi wm Maringá,  depois de ir com meu carro buscá-lo no Hotel Deville para uma entrevista ao vivo no TJ Meio Dia (local). Que figura extraordinária. Grande poeta, boa prosa e uma humildade que poucos artistas famosos têm. Sou fã de carteirinha do Belchior.


12 de dezembro de 2013

"Domínio do fato" pode levar tucanos à cadeia

O bicho está pegando pro lado do tucanado, Um diretor da Siemens disse em depoimento à Polícia Federal que a empresa pagou propina a políticos ligados ao governo paulista, inclusive ao próprio governador Alckmin e ao ex-governador José Serra. O processo já foi encaminhado ao STF, onde se espera que o caso tenha por parte do ministro-presidente da suprema corte, Joaquim Barbosa, o mesmo tratamento dado ao mensalão. A prevalecer a tese jurídica "domínio do fato", o propinoduto paulista pode acabar em cadeia também.

30 de novembro de 2013

Nivelando por baixo

Impressionante mesmo: há quase nada de positivo nessa polarização entre petistas e tucanos. Pelo menos do ponto de vista político. Por isso mesmo, é guerra de babuínos no duro. Claro, existiram avanços nos dois governos. O de Fernando Henrique consolidou o Plano Real, lançado por Itamar Franco. E o de Lula, teve avanços sociais significativos. Já nenhum dos dois presidentes deu um passo a frente sequer nas reformas política e tributária. Tudo continua como antes no quartel de Abrantes. A questão ética, então, essa vai de mal a pior.

29 de novembro de 2013

Duelo ao por do sol


Bem no estilo velho oeste, estamos assistindo a um verdadeiro duelo ao por do sol entre PT e PSDB. Agoniado com as pesquisas que mantém Dilma no topo, feito febre que não cede , o tucanato parte pra cima, reagindo a uma suposta carta falsificada. Afinal, a melhor defesa  é o ataque. Mas de tudo isso o que intriga no esperneio do presidenciável Aécio Neves é que sequer toca no propinoduto paulista ,  o seu calcanhar de Aquiles de hora em diante.
É cada vez mais claro que o mensalão, em termos de disputa político-eleitoral é babaneira que já dei cacho. Mas o escândalo do transporte sobre trilhos da capital paulista está apenas começando, tem muita banana pra produzir ainda.

Quem deve estar se divertindo com essa história é a dupla Eduardo Campos-Marina Silva, porque o duelo, queiram ou não, desgasta os dois. E é por aí que a terceira via pode começar a dar sinais de vida.

28 de novembro de 2013

CC de Richa seria o autor de perfil falso da ministra

'Considero lamentável e preocupante a informação de que um funcionário comissionado do Governo do Estado do Paraná tenha criado um perfil falso e anônimo na internet com o único objetivo de me insultar e caluniar. 
Mais grave ainda, o falso perfil operava na modalidade patrocinada nas redes sociais, ou seja, era pago pelo funcionário responsável, José Gilberto Maciel, servidor comissionado da Agência de Notícias do governo do estado do Paraná, para amplificar a exposição de suas mentiras. 
Uma das grandes infâmias do perfil anônimo foi a tentativa de me indispor com as APAES, instituição da qual sou aliada histórica. Este conjunto de ações me levou a recorrer à Justiça que concordou com nossos argumentos e determinou a quebra do sigilo do site. 
Foi por meio desta quebra de sigilo, mediante ordem judicial, que se descobriu a identidade por trás do perfil anônimo. Na sentença, o juiz reconheceu que a página na internet violava meus direitos “com referências grosseiras” e determinou a divulgação do nome do caluniador, bem como a exclusão do perfil da internet. 
Assim, acredito que agora cabe ao chefe do poder executivo estadual, ao governador, esclarecer e explicar as atividades de seu servidor quando, em seu horário de trabalho, me atacava e difamava por meio de um falso perfil, bem como a origem dos recursos utilizados para o pagamento das faturas que espalharam mentiras pelas redes sociais. Como já disse mais de uma vez, até entre adversários há que haver limites.''

Brasília, 27 de novembro de 2013 
Gleisi Hoffmann

26 de novembro de 2013

Pimenta no fiocco dos outros é refresco...


A Embaixada do Brasil em Roma foi informada, por e-mail, na semana passada, sobre o risco da construção de uma fábrica de helicópteros em Maringá pela Avio International Group Holding. “Devo informá-lo de que o proprietário da empresa, Luigino Fiocco, é pessoa conhecida da justiça italiana e suíça. Na Itália, já foi condenado várias vezes por roubo, fraude, falsificação e sonegação de impostos. A última (sete anos de prisão ) foi este mês, em Cagliari, pela falência fraudulenta de uma empresa chamada Aviotech”, diz a mensagem, acompanhada de links. “Na Suíça, foi preso por tentativa de fraude e falsificação. (…) Avio International Group Holding é uma empresa em apenas papel. Na Suíça só tem um endereço (em Lugano), enquanto que na Itália há uma pequena fábrica em Mornington, onde, no entanto, não há nem trabalhadores nem funcionários (foto). (…) Na realidade Fiocco nunca produziu nem vendeu um único avião ou helicóptero. Está a organizar um golpe como o que fez uma vez na Sardenha. Na Sardenha arrecadou os subsídios do governo, no Brasil a tentar enganar qualquer investidores privados”. A mensagem, assinada por Carlo Senis, que teria sido vítima no caso Aviotech, informa ainda que o empresário estaria envolvido em outra falência fraudulenta, a da Central Soyfood International, que se comprometeu a produzir leite de soja na Sardenha mediante subsídios estatais e nunca chegou a funcionar. 
Blog do Rigon

25 de novembro de 2013

A briga dos irmãos de fé pela telinha








Waldemiro Santiago e Edir Macedo continuam medindo força por espaços na TV, especificamente na Band. Com o cofre mais abarrotado o dono da Rede Record vem ganhando a parada e jogando o dissidente da Igreja Universal para fora do vídeo. Cânticos e sermões embalam essa contenda de muitos milhões de reais. Com essa "guerra santa"  grupo Bandeirantes deve faturar este ano R$ 150 milhões com a venda de espaço para cultos evangélicos.
A última tacada do apóstolo Waldemiro foi busca refúgio na Rede TV, que tem pouca audiência mas deve melhorar seus índices agora com o público fiel e cativo da Igreja Mundial.

23 de novembro de 2013

Se multar fosse solução Maringá teria o trânsito mais tranquilo do mundo

Diz o ditado popular surgido da lógica capitalista que a parte que mais dói no corpo humano é o bolso. Mas no caso do trânsito já está provado que o bolso, por maior que seja a dor que provoque, não tem efeito pedagógico. Sendo assim, que outro objetivo move a Secretaria Municipal de Trânsito e fazer de Maringá uma campeã de multas?
Tudo bem que as ruas estão cada vez mais congestionadas , que na cidade brotam mais carros do que grama, mas a ânsia de arrecadar não tem ajudado em nada a tornar o motorista maringaense mais civilizado. Parece que quanto mais se multa, mais violento o trânsito fica.
Então, o que fazer diante desse quadro? Multar cada vez mais? Muitos motoristas não só ignoram a perda de pontos na carteira como parecem com o bolso anestesiado. Esses, certamente, tem sobrando. Porque , convenhamos, não é pequeno o número de condutores que se espremem e precisam se virar nos trinta para pagar as multas qye chegam pelo correio às suas casas. Na maioria são multas injustificáveis, fruto talvez, da falta de possível redução do intervalo da passagem do verde para o vermelho nos semáforos onde há câmeras.
Já ouvi isso de um amigo que conhece o sistema: “o tempo normal de permanência do amarelo é dois segundos, reduziram pra um segundo”. Se isso corresponde a verdade não sei, mas o fato é que há algo de muito estranho nesse sistema de fiscalização eletrônica de Maringá. Como deve haver também, algum tipo de estímulo aos guardas de trânsito, que andam caneteando legal.
Não sou contra a punição do motorista irresponsável , não. Longe de mim querer falar contra qualquer tentativa de humanização do trânsito da cidade.Mas vamos e venhamos: é preciso que o município debata mais profundamente o problema e se preciso, contrate uma assessoria técnica de altíssima qualificação, para encontrar saída pela via da conscientização, que não seja apenas a “conscientização” via bolso.
O número de multas de trânsito em Maringá, convenhamos, ultrapassa os limites do bom senso. Basta ver no O Diário de hoje, matéria que mostra dados absurdos, como este da elevação do percentual de autuações em torno de 868% em um mês. Isso é ou não é combater uma violência com outra?

22 de novembro de 2013

Adeus, amigo Batista




João Batista Lunardelli, Batista para os íntimos, ou Kid Batista para os colegas da Jacques Vídeo.Trabalhei com ele durante anos na TV Cultura de Maringá, onde fazia de tudo um pouco. Foi motorista e auxiliar de serviços gerais, mas também atacava de cinegrafista, de iluminador. Enfim, um legítimo “carregador de piano”. Extraordinária figura, grande caráter. Vai fazer falta. Aliás, já está fazendo. Que a terra lhe seja leve, grande guerreiro.

A dança dos iguais

Em matéria de corrupção, seja ativa ou seja passiva, está tudo nivelado. E a grande mídia, enfim, começa a dar sinais de fadiga e vai, aos poucos, desfazendo o biombo da proteção que vinham dando a partidos como PSDB, PPS e DEM, com um silêncio quase obsequioso em torno de escândalos que envolve a dita oposição. 
Pois bem, agora mesmo, o jornal O Estado de São Paulo vincula o caso do cartel do sistema de transporte sobre trilhos da paulicéia a políticos ligados ao tucanato, aí incluídos pepistas e deMsistas. O rombo nos cofres do governo de São Paulo foi grande, soma alguns mensalões.
Lendo esta notícia,me veio à mente uma música do Ivan Lins e do Victor Martins:"Somos todos iguais nesta noite..."









 

18 de novembro de 2013

A lei é dura mas é lei. Pra quem?

Não quero, não devo e nem tenho autorização para defender José Genuíno, que dos petistas presos é, sem dúvida , o único que entrou no esquema pela janela, como bem diz o sociólogo Rudá Ricci. Quem acompanhou minimamente a história recente da esquerda e está despido do preconceito ideológico que a mídia disseminou contra Lula e o PT, reconhecerá , enfim, que Genuíno é um militante sério, ideologicamente comprometido com a justiça social. Ficou amargo nos últimos tempos, chegando a espasmos de falta de educação, principalmente quando abordado pela irreverência dos quase sempre inconvenientes “repórteres” do CQC. Mas a gente percebia pela sua reação nos corredores da Câmara Federal, que Genuíno estava agoniado e ao mesmo tempo constrangido com a situação em que se metera. Então, se protegia das câmeras, como se estivesse sendo atacado por arma branca.
Entendam bem: quando falo em preconceito não significa que concordo com os esquemas de corrupção que o comando nacional do Partido dos Trabalhadores arquitetou (e executou) no primeiro governo Lula. Apenas acho que se é pra passar o Brasil a limpo, que não se deixe pedra sobre pedra. O STF continuará prestando um serviço de fundamental importância para a democracia brasileira se pesar sua mão também sobre escândalos anteriores, colocando as ladroagens no mesmo nível. E que a mídia não queira passar uma borracha sobre, por exemplo, as privatizações escandalosas do governo FHC e o esquema vergonhoso de compra de votos para a emenda da reeleição . O Brasil não pode mais continuar tolerando a corrupção desbragada de agentes políticos. Há corrupção e corrupção? Não, claro que não. Corrupção é corrupção e ponto final. Não importa a sigla partidária a que o corrupto pertença.
E no caso do mensalão, o comportamento dos barões da mídia é mais ou menos como aquela velha máxima: aos amigos tudo, aos inimigos a lei.

Esse natal vai ser do piru!!!


17 de novembro de 2013

"Hasta la vista, baby!"









O paranaense Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil vazou na massaroba. Foi para  a Itália, terra de Cesare  Batisti , que estava no Brasil e capou o gato para o Paraguai que, dizem, é terra de ninguém. O STF deve pedir extradição do primeiro, mas depois do governo brasileiro se recusar a mandar Batisti de volta , é de se duvidar que o governo italiano vá colocar Pizzolato num avião e despachá-lo para Cumbica. Como diria o blogueiro Esmael Morais, "é mais fácil o sargento Garcia prender o Zorro do que os italianos devolverem o Henrique Pizzolato, que deve ter dito , para martelar nos ouvidos do ministro Joaquim Barbosa,  um sonoro "hasta  la vista,baby!"









14 de novembro de 2013

As tais emendas parlamentares

Maurício não é filho de Maurício, é filho de Roberto. Mas traz no sobrenome a língua ferina, a contundência. Jovem ainda, Mauricio Requião, não o irmão , mas o filho do ex-governador e atual senador da república deve ser candidato a deputado, não sei se estadual ou federal, ano que vem. Advogado especialista em políticas públicas, tal qual o pai tem discurso de esquerda, embora esquerda não pareça ser . É de Maurício essa a crítica ao instituto da emenda parlamentar, com a qual eu concordo em gênero, número e grau. Diz ele, sobre o tal Orçamento Impositivo, que obriga o governo a liberar emendas parlamentares:

Você já deve ter ouvido falar do “Orçamento Impositivo”. Aquele que garante as emendas dos parlamentares. Você sabe direito do que se trata?As emendas individuais ou emendas parlamentares são, em sua definição, acréscimos ou inclusões de dotação com recursos oriundos da anulação de dotação da Reserva de Recursos, as quais têm que ser compatíveis com o Plano Plurianual do quadriênio que estão inseridas e com as demais disposições aprovadas anualmente pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional. Em português, são verbas destinadas individualmente por cada parlamentar para determinado município”.

A verdade verdadeira é que as emendas são moedas de troca, que permitem ao parlamentar   levar dinheiro que deveria ser de direito dos municípios diretamente para os prefeitos de suas bases eleitorais. De tal forma que tanto o presidente da república (no nosso caso atual a presidente) quanto os governadores , liberam percentuais de emendas quando querem o voto do parlamentar para seus projetos. A imoralidade está exatamente aí, na troca de favores, que no sistema político brasileiro virou prática comum, já incorporada aos costumes no jogo do poder.




19 de outubro de 2013

Maringá e a metáfora da bola quadrada



Maringá é uma cidade completa, não precisa mais de infra-estrutura, porque tudo aqui está pronto. É , metaforicamente, uma cidade redondinha, que vai muito bem, obrigado, mas desde que pés inábeis não façam , como ocorre hoje, ficar quadrada a bola do jogo. A cidade precisa sim, de obras estruturantes, principalmente no quesito mobilidade urbana. Mas nada que exija grandes intervenções, que demande grandes projetos e muitos recursos. As últimas duas obras de peso estão por ser concluídas. Custam o olho da cara e são feitas com recursos federais , com a devida  contrapartida do município que é de 20%. Mas ao lembrar do Novo Centro e do Contorno Norte, necessário se faz observar o seguinte:

Novo Centro - O rebaixamento da linha férrea começou em 2004, com valor estimado de R$ 43,8 milhões e com prazo de 40 meses para terminar. Já se vão mais de  8 anos e, nas asas de aditivos, o custo já ultrapassa a casa dos R$ 100 milhões.

Contorno Norte – Há que  se  tirar daquela via expressa o termo  contorno, pois, tal qual  o próprio nome diz, contorno contorna. Este, passa  por dentro da cidade, apenas com transferência do tráfego pesado da Colombo para uma outra avenida, muito mais perigosa. Quando o então Ministro do Planejamento Paulo Bernardo veio assinar a primeira ordem de serviço, o custo estimado da obra era de aproximadamente R$ 160 milhões. Ultrapassará os R$ 300 milhões.

Para piorar a situação, a obra cria dificuldades extremas aos moradores de bairros localizados do lado de lá . Atravessar o Contorno já é,  para muitos, uma aventura. As passarelas são estreitas e ficam longe uma da outra. Os viadutos são igualmente distantes, agravando o isolamento de vários bairros, alguns até batizados de “Bairro de Soweto”. Não por acaso, o Contorno ganhou o apelido de “Transtorno Norte”,  cujo traçado original é da primeira gestão Said Ferreira,  lá se vão bons 30 anos, pelo menos, quando ali só existia mato e café. Se fosse construído à época, seria realmente um contorno.

 

Vale a lembrança de que a Viapar está nos finalmente do Contorno de Mandaguari, este sim um contorno, feito ao custo de R$ 90 milhões. Tudo bem que o percurso é menor – 10 quilômetros contra os 17 daqui, mas construído em terreno topograficamente acidentado e que necessitou de muitas intervenções, bem ao contrário do que ocorreu em Maringá. Comparando custos e tempo de execução do projeto, sem dúvida que o Contorno Norte merece boas explicações, inclusive cobranças mais incisivas da Controladoria Geral da União ao Denit.


Feitos esses reparos sobre o Novo Centro e o Contorno Norte, vem a questão-chave: por que Maringá é uma cidade tão mal cuidada? O município tem um orçamento de quase R$ 1 bilhão e, no entanto as praças estão com cara de terra arrasada; a coleta de lixo é precária, a coleta seletiva quase não existe, as ruas estão sujas, as calçadas detonadas e os fundos de vale ao Deus dará. Some-se a isso a falta de cuidado com bens públicos, caso do Cineteatro Plazza , exemplo pronto e acabado de desleixo.

O que o maringaense comum espera da administração pública? Apenas  zelo  com a cidade e um pouco mais de eficiência e vontade política no trato das demandas sociais. Faltam vagas nas creches, a saúde pública é cheia de altos e baixos, mais baixos do que altos; a educação segue contaminada pelo germe da imposição e do fisiologismo político  na indicação dos diretores   das escolas municipais; o relacionamento do chefe do Executivo com os servidores é péssimo, até por conta do excesso de CCs na Prefeitura e pelo total desapreço a compromissos assumidos com o sindicato da categoria.


Absurda a reação nada republicana de apaniguados contra  os que exercem o direito à crítica. Maringá , convenhamos, não é um feudo, embora haja aqui, alguma semelhança  com a prática da vassalagem. Acreditem: temos  até um arremedo de suserano.  Mas isso pode acabar, basta que a população saiba  ministrar direitinho aquele  remédio chamado voto, que  a democracia prescreve contra  a potencialização do caciquismo.








28 de setembro de 2013

Bomba no ninho tucano

Volto a postar aqui depois de algum tempo. Fiquei fora do ar por causa de  um spam,que me atormenta frequentemente, invadindo a tela da postagem , sem permitir que o delete. É coisa do demo. Como ando me esforçando para evitar stress, simplesmente grito aqui com meus botões: "Filho da puta!!!". Depois relaxo e tento vencer o lazarento pelo cansaço. Um amigo me aconselhou a colocar um antivírus que bloqueie todas essas merdas que vivem poluindo a tela da gente. Vou fazer isso, mas enquanto não faço, peço um pouco de paciência àquela meia dúzia de amigos que me leem nesse espaço.
Bem, antes que o próximo spam apareça, foi reproduzir notícia do Correio do Brasíl, sobre reportagem de Leandro Fortes na revista Carta Capital:
"Documentos reveladores e inéditos sobre a contabilidade do chamado ‘valerioduto tucano‘, que ocorreu durante a campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, constam de matéria assinada pelo jornalista Leandro Fortes, na edição dessa semana da revista Carta Capital. A reportagem mostra que receberam volumosas quantias do esquema, supostamente ilegal, personalidades do mundo político e do judiciário, além de empresas de comunicação, como a Editora Abril, que edita a revista Veja.
Estão na lista o ministro Gilmar Mendes, do STF, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os ex-senadores Artur Virgílio (PSDB-AM), Jorge Bornhausen (DEM-SC), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Antero Paes de Barros (PSDB-MT), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Agripino Maia (DEM-RN), o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) e os ex-governadores Joaquim Roriz (PMDB) e José Roberto Arruda (ex-DEM), ambos do Distrito Federal, entre outros. Também aparecem figuras de ponta do processo de privatização dos anos FHC, como Elena Landau, Luiz Carlos Mendonça de Barros e José Pimenta da Veiga.
Os documentos, com declarações, planilhas de pagamento e recibos comprobatórios, foram entregues na véspera à Superintendência da Polícia Federal, em Minas Gerais. Estão todos com assinatura reconhecida em cartório do empresário Marcos Valério de Souza – que anos mais tarde apareceria como operador de esquema parecido envolvendo o PT, o suposto “mensalão”, que começa a ser julgado pelo STF no próximo dia 2. A papelada chegou às mãos da PF através do criminalista Dino Miraglia Filho – advogado da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, que seria ligada ao esquema e foi assassinada em um flat de Belo Horizonte em agosto de 2000.
Segundo a revista, Fernando Henrique Cardoso, em parceria com o filho Paulo Henrique Cardoso, teria recebido R$ 573 mil do esquema. A editora Abril, quase R$ 50 mil e Gilmar Mendes, R$ 185 mil".

19 de setembro de 2013

Como 2 + 2 são 4

  “A partir da moldura fática constante do acórdão impugnado, extrai-se que o vice não sucedeu propriamente o prefeito, ocorrendo simples substituição. Cumpre distinguir a substituição da sucessão do titular. O exercício decorrente de substituição não deságua na ficção jurídica, própria à sucessão, de configurar-se mandato certo período de exercício. Dou provimento a este recurso, para deferir o registro da candidatura de Carlos Roberto Pupin.”
Esta foi a decisão monocrática do ministro Marco Aurélio Mello, que liberou a candidatura Pupin na semana do segundo turno, contrariando o  artigo 14 da Constituição Federal, que é taxativo:

“O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente”.

 Notem bem:“...quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente”.

Mais claro impossível. O  vice-prefeito Roberto Pupin estava inelegível em 2012. E por mais leigo que seja, qualquer cidadão minimamente informado e bem intencionado há de concluir que a decisão monocrática do ministro relator é puro sofisma. Evidente que o Direito não é uma ciência exata, mas a lei é precisa, não deixa margem à dúvida.
Vamos ver então, como o plenário do TSE deve  julgar o caso hoje, isso se não houver  um novo pedido de vistas.
Some-se a isso, outro agravante: como vice, Pupin teria que ter renunciado ao cargo para disputar a Prefeitura. Não se desincompatibilizou, o que torna ainda mais estranho o parecer do relator.
 Sobre isso, Akino Maringá, pseudônimo do qualificado colaborador do blog do Rigon  tem se mostrado um estudioso do assunto. E colocações que faz a respeito do caso, é coisa de quem tem afinidade com a legislação eleitoral. É dele a  análise, a propósito da não desincompatibilização :Falar em incongruências dizendo que se o titular não precisa se afastar no cargo (deixar a cadeira) é absurdo. Esqueceu de dizer que isto só ocorre na reeleição e não no caso em que se candidata a outro cargo, como é o caso. O titular teria que renunciar ao cargo seis meses antes da eleição, para poder ser candidato a vereador, único cargo que poderia concorrer em 2012. Nem a vice, ainda que renunciasse, poderia ser candidato, pois estaria caracterizado o terceiro mandato.
Se para o prefeito, ser vice seria terceiro mandato, por que para o vice, que foi reeleito junto com ele, e o substituiu nos dois mandatos, dentro dos seis meses antes das eleições, não seria?
Totalmente equivocado o voto do ministro Marco Aurélio”.



17 de setembro de 2013

Dilma risca Beto Richa da sua agenda





Há exatamente um ano a presidente Dilma Rousseff deixou de receber em audiência o governador do Paraná. Motivo: Beto Richa andou entregando obras construídas com recursos federais e omitiu a parceria com o governo Dilma, assumindo a paternidade dos projetos. Para piorar,alguém no Palácio Iguaçu mandou a TV Educativa tirar do ar a fala da presidente justamente quando ela anunciava a liberação de R$ 1 bilhão para o metrô de Curitiba. Fez mais do que isso: "Tire essa vaca do ar", teria ordenado o aspone. O audio teria chegado aos ouvidos da presidente, que não deixou de mandar verbas para o Estado do Paraná, como é do seu dever, mas riscou o nome do governador da sua agenda. Tanto que hoje, quando recebeu o presidente da Audi que foi anunciar a volta da montadora ao Paraná, Beto Richa não estava lá. como mostra a foto.

Fonte: Blog do Cícero Catani



13 de setembro de 2013

"Vergonha. O delegado Silvan Rodney Pereira, o responsável pela confissão de quatro rapazes pela morte da menina Tayná, agora é o principal suspeito do hediondo crime. Ele encontra-se preso por determinação da Justiça, pela prática de tortura. O ex-delegado de Alto Maracanã, em Colombo, e mais noves agentes podem estar envolvidos na morte de Tayná. O  Gaeco – Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado – passaou a investigar o homicídio por orientação do CNMP – Conselho Nacional do Ministério Público".

. Blog do Cícero Cattani

12 de setembro de 2013

Sanepar como prato do dia no Palácio


Beto Richa segue as pegadas do seu maior inspirador político, não o pai, o saudoso e politicamente correto José Richa, mas Jaime Lerner, o entreguista. Lembremos que em seus 8 anos de governo, Lerner só não vendeu  a Copel porque a sociedade se mobilizou e o pau comeu na casa de Noca. Mas não houve tempo de salvar a Sanepar, que foi semi-privatizada. O povo paranaense não se deu conta do caso Banestado, que quebrou ao sair por aí comprando títulos podres de estados falidos. Depois o banco foi vendido a preço de banana  ao  Itaú.
No caso específico da Sanepar, quando voltou ao governo, Requião retomou o controle total da companhia, onde já mandava o grande acionista frances Vivendi, que ocupava cargos chaves na estatal do saneamento, tendo como preposto o Grupo  Dominó. Agora os franceses voltaram a mandar na parada e com o aval da Assembléia Legislativa. Lembrando que segunda-feira o governador Beto Richa almoçou no Palácio Iguaçu com a bancada do PMDB que ele havia cooptado. Nesse almoço, evidentemente, o prato servido aos famintos comensais foi “Sanepar ao molho madeira”.

11 de setembro de 2013

CPI do pedágio esquenta


Informa a jornalista e blogueira Roseli Abrão que “ao participar nesta terça-feira da CPI do Pedágio da Assembleia Legislativa, o ex-procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, afirmou que somente uma intervenção federal resolveria de uma vez por todas a questão do pedágio no Estado.
Até hoje Requião paga o preço da frase “ou baixa ou acaba” que disse na campanha de 2002. O pedágio não baixou de preço e nem acabou, mas reconheça-se: em seus dois mandatos  após o período Lerner, Requião ajuizou 300 ações na justiça federal contra as concessionárias, mas até agora não obteve êxito, segundo Boto devido a morosidade das esferas judiciais.
Escreve Roseli: “Em outra intervenção, Botto de Lacerda questionou por que o governador Beto Richa suspendeu a ação “mais importante” que questionava todos os aditivos feitos nos contratos do pedágio entre 2.000 e 2.002 ainda mais quando o processo, que tramitava na 2ª Vara Federal de Curitiba, estava na fase de perícia técnica”.
“ Muito me espanta a suspensão, até porque o processo foi suspenso exatamente na fase mais importante que é a de perícia técnica”, afirmou o ex-procurador.

10 de setembro de 2013

Seria o Novo Centro uma bomba relógio?


“Sobre os riscos de uma tragédia sem precedentes no túnel do Novo Centro de Maringá (assunto por demais enfocado neste simples e humilde blog), o silêncio é ensurdecedor. Principalmente na ‘Casa do povo’. Lembrando que pelo túnel trafegam diariamente composições transportando material altamente inflamável (como combustíveis) e é ao mesmo tempo ‘moradia’ de mendigos, desocupados, traficantes, usuários de drogas… O mais agravante é que não existem saídas de emergência no local”.
. Blog do Lauro Barbosa

Na verdade , o alerta sobre os perigos que representa o túnel vem de longe e foi feito pela primeira vez pelo Ministério Público, que encaminhou pedido de vistoria à  Agência Nacional de Transportes Terrestres, salvo engano em 2005. A ANTT teria feito uma vistoria no local e produzido um relatório, que recomendava algumas providencias, tais como a construção de dissipadores de fumaça. Em maio de 2007 postei a seguinte nota no meu blog da Blogspot (www.messias-mendes.blogspot.com):

“Provocada pelo Ministério Público a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, fez uma vistoria no túnel do Novo Centro de Maringá (da Av. Paraná à Pedro Taques) . Isso foi há mais de um ano e até agora ninguém conhece o relatório. É possível que a Prefeitura o tenha. A solicitação partiu de ambientalistas preocupados com a falta de suspiros adequados para a dissipação da fumaça de óleo diesel que as locomotivas soltam lá dentro.  Segundo um desses ambientalistas, constatou-se na época que o potencial de risco do túnel é muito grande. Devido à corrosão provocada pela fumaça, já havia rachaduras nas estruturas de concreto do túnel. E foi verificado também um grande número de dormentes apodrecidos. Não se tem notícia de que algum reparo tenha sido feito pela ALL, empresa que explora o transporte ferroviário na região. Parece que o túnel anda meio abandonado, tanto que serve de esconderijo para viciados em drogas.
Há informações de que o espaço deixado para uma futura estação intermodal de passageiros também vive cheia de desocupados. Não se tem conhecimento de que a
América Latina Logística disponha de algum plano de emergência para casos de acidentes.  Sugiro aos pauteiros dos jornais locais e emissoras de TV, que programem matéria sobe o assunto.  Com segurança não se brinca. As autoridades públicas, principalmente as ligadas à segurança precisam tomar ciência do potencial de risco a que me refiro e , claro, agir imediatamente”.

Parece-me que há mais ou menos dois anos o jornal O Dário fez uma reportagem sobre o tema e na ocasião o Corpo de Bombeiros teria elaborado um plano de prevenção para o local. Salvo engano, não passou disso. 

8 de setembro de 2013

A veja leva mais uma fumada


A revista Veja, que tem exagerado na pauleira pra cima do PT acaba de ser condenada a indenizar Luiz Gushiken por danos morais. De tanto desconstruir biografias nos últimos 8 anos, a principal publicação do Grupo Abril vai acabar tendo que pedir água ao BNDES.

5 de setembro de 2013

Autor de "Honoráveis bandidos" joga um facho de luz sobre o breu da era FHC



 Acaba de ser lançado mais um livro sobre as privatizações do governo FHC. Depois do sucesso que fez A Privataria, de Amauri Ribeiro Júnior, está nas livrarias, também sem cobertura da mídia tradicional, “O Príncipe da Privataria”, de Palmério Dória, o mesmo autor de “Honoráveis Bandidos”. Num país sério , que não joga sua sujeira para debaixo do tapete, seria nitroglicerina pura.
Por falar em privataria, que faz lembrar  outros escândalos da república,  o livro de Palmério Dória reaviva a nossa memória para o “mensalão” e nos remete a um passado também recente que foi o a compra de parlamentares promovida pelo governo tucano de Fernando Henrique visando a aprovação da emenda da reeleição.  A propósito desse episódio, que a grande imprensa fez questão de esquecer, a jornalista Maria Inês Nassif , do sitio Carta Maior,dá uma ligeira refrescada na memória dos que não tem mais sequer uma vaga lembrança dessa tungada:  pelo menos 150 parlamentares teriam vendido seus votos a R$ 200 mil por cabeça. Três deles tiveram suas confissões publicadas pela Folha de São Paulo, com base em gravações obtidas pelo jornalista Fernando Rodrigues.          Colocados esses valores na ponta do lápis, somando-os com os prejuízos de uma privatização que concentrou renda privada no país, o “mensalão” do PT é fichinha. Diz Maria Inês:
“Nos dois casos – do governo Fernando Henrique e no escândalo maior do governo Lula, o Mensalão – os jornais denunciaram. A diferença para os dois períodos, todavia, foi a forma como a mídia enxergou os desmandos. No caso da compra de votos para a reeleição, jornais e tevês consideraram satisfatória a ação da Câmara, que cassou o mandato de três deputados que confessaram, para o gravador oculto de Fernando Rodrigues, terem recebido dinheiro para votar a emenda da reeleição. Ao escândalos relativos à privatização foram divulgados muito mais como denúncias de arapongagem – escutas ilegais feitas por inimigos do prograa de doação do patrimônio público a consórcios formados com dinheiro do BNDES, fundos de previdência das estatais e capital estrangeiro (em menor volume, mas com direito a controle acionário), do que propriamente indícios de ilícitos do governo”.
Enfim, meus caros e minhas caras, “em 1994 consolidou-se um bloco hegemônico em torno de um governo. O que aconteceu de 2002 para cá é que a unidade em torno do governo não existe mais, mas a hegemonia das outras instituições se impõe sobre os poderes instituídos pelo voto. O bloco hegemônico é o mesmo, exceto pelo governo e pelo Congresso, que dependem do voto popular. A unidade se faz em torno da mídia – que nega o que escreveu na última década do milênio. Dois pesos e duas medidas viraram uso corriqueiro por este bloco. Por isso é tão simples cunhar frases do tipo  “nunca houve um governo tão corrupto” para qualquer um posterior ao período do tucano, que vai  de 1995 a 2002. E por isso, essa simplificação não pode ser pedagógica: não reconhecer que há uma corrupção estrutural no sistema político é uma forma de mantê-la inalterado. E quando um presidente do bloco hegemônico for  eleito, poderá usar esse sistema político atrasado, com o pretexto de “modernizar” o país, pagando o preço que ele cobrar”.

4 de setembro de 2013

Jóias que as FMs ignoram

Justiça se faça à FM da Universidade de Maringá  (106,9), a única da região que toca a verdadeira música popular brasileira e com o devido crédito aos compositores.

Bem que Maringá poderia se orgulhar dela, mas agora é tarde




O maringaense tinha muito que  se orgulhar da Rodoviária Américo Dias Ferraz, projetada no final dos anos 50 sob influência dos traços do  maior arquiteto do século XX, Le Corbusier. As principais criações do mestre da arquitetura moderna estão em grande exposição em Nova  York, que deve correr por capitais européias, como Londres e Paris. Segundo reportagem publicada hoje no jornal Gazeta do Povo, “o mestre Le Corbusier, um artista transformador,  é responsável  por grandes mudanças no pensamento arquitetônico.

“O legado corbusiano está em várias edificações icônicas de Curitiba. Entre elas, se destacam o palácio Iguaçu, a Reitoria da Universidade Federal do Paraná e o edifício construído como sede do Instituto de Previdência do Paraná”, destaca o principal jornal do Estado, acrescentando que “a lista de profissionais que recebeu influência de Le Corbusier em projetos executados na capital paranaense também é extensa – notadamente a partir da geração de arquitetos e engenheiros que veio de São Paulo nos anos 60 para lecionar no recém-fundado curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR”.
 Oscar Niemeyer era um jovem e promissor arquiteto quando Le Corbusier esteve no Brasil e teve com ele algumas conversas.
 Em sua edição de  5 de novembro de 2010 o  O Diário destacava em matéria sobre a Rodoviária, com base em informações  do professor Altair Aparecido Galvão, doutorando em Geografia Humana:
“ Em Maringá, a Estação Rodoviária Américo Dias Ferraz foi construída no início da década de 1960 e se transformou em motivo de orgulho para todos os munícipes, em especial quando algum londrinense nos visitava e reclamava do fato de Londrina, a "Capital do Café" não possuir, na época, nada parecido. Perto da nossa "Estação", a deles era um mero "ponto de ônibus".

Quando ela foi inaugurada, os seus dois arcos, localizados na Avenida Tamandaré e na Rua Joubert de Carvalho, eram considerados os maiores vãos livres com esse formato no Brasil. Além de ser um dos principais pontos de chegada e partida de passageiros de vários locais do país, era um centro comercial popular, ou seja, um espaço público por excelência”.
Há de se concluir,  então, que a demolição do prédio da Rodoviária Américo Dias Ferraz foi um crime injustificável contra a memória da cidade e contra a própria história da arquitetura universal. Tenho dito.

Reforma de mau gosto


O Senado acaba de aprovar em primeiro turno um  Projeto de Lei que alguns senadores pretendem que seja a grande reforma política que o Brasil precisa . Os debates foram acalorados e teve senador que detonou  a proposta, que limita tanto a campanha que só falta dizer: é proibido fazer campanha. Na verdade é uma pretensa  mini-reforma, que entre outras coisas mantém o financiamento privado de campanha, não cria nenhum mecanismo de socialização do fundo partidário e além disso proíbe propagandas em cavaletes, placas e muros de residências. Enfim, se isso passar e virar lei, doravante quem tem dinheiro para cabalar voto passa a levar ainda mais vantagem do que as que já leva.
O processo político brasileiro, por todas as brechas que deixa para a formação de “currais” já é um escárnio, imagine como será se dificultarem ainda mais para os candidatos que só dispõem  da sua biografia e das suas idéias para o embate eleitoral.

29 de agosto de 2013

Nada de se estranhar

Pelo jeito sobra dinheiro na Prefeitura de Maringá. Segundo a resposta ao requerimento 2167 da câmara municipal, a administração devolveu à Caixa Econômica Federal mais de R$ 1 milhão que a fundo perdido deveriam ser investidos na melhoria de corredores de transporte coletivo na avenida Brasil. O projeto aprovado pela CEF e pelo BID na administração passada, quando Carlos Roberto Pupin era prefeito, em 2012, iria priorizar o coletivo sobre o individual, mas devido a interferências políticas dos proprietários de um loteamento faraônico na área do antigo Aeroporto Gastão Vidigal, o recurso foi propositalmente perdido. A turma envolvida – onde um dos proprietários é supostamente oculto, mas todos sabem quem é – manda em muitos políticos de Maringá.

. Blog do Rigon

Meu comentário: nada de se espantar, principalmente se considerarmos que em 2004 o prefeito João Ivo teve que ir às  pressas a Brasília para evitar que no último dia do ano os R$ 43,8 milhões destinados ao rebaixamento da linha e construção da supervia (Avenida Horácio Racanello) no novo Centro fosse mandado para Camaçari. Havia um deputado de Maringá, vice-líder de FHC e depois de Lula, que movia céus e terras para travar a verba, sabe-se lá por quais razões. 

Nossas desculpas, em nome dos imbecis


28 de agosto de 2013

Alguém tem razão na casa que falta pão?





A carência de médicos,  potencializada pela falta de uma política de estado para a saúde é grave. Mas tão grave quanto é o bisturi ideológico , corporativista e meio xenófobo, da Associação Médica Brasileira e alguns conselhos regionais de medicina
                                                                 Messias Mendes

Saúde não pode ser programa de governo, mas política pública de estado, porque os governos mudam,  o estado, não. A falta de médicos nas regiões mais pobres do país não é de agora, porém só agora o governo federal decidiu encarar a situação de frente. E o faz num rompante, atropelando  a lógica de um mercado de trabalho muito complicado. Poucas categorias profissionais são tão corporativistas quanto a categoria médica  e por isso, mexer com ela  é cutucar a onça com vara curta. Mas como disse um  amigo reumatologista, “esse é o tipo do episódio da casa que falta pão, onde todos brigam  mas ninguém tem razão”.
Precisamos de médicos? Precisamos, sim senhor. O Brasil tem medicina de ponta, mas  falta médico lá na ponta. Pressionado pela realidade dos fatos, o governo brasileiro, então, achou uma saída. Não chega a ser a pedra  filosofal, mas é uma tentativa válida de resolver o problema. Ao anunciar sua intenção de importar médicos,  abriu vagas em vários rincões do país , para médicos brasileiros que, reconheça-se,  não se mostraram interessados nesse processo de descentralização, apesar do nada desprezível salário de  R$ 10 mil.
A presidente Dilma Rousseff, até usando como referência países desenvolvidos que são grandes importadores de médicos, “mandou ver”  no programa MAIS MÉDICOS, via medida provisória. Pouco se deu conta de que mexia num poderoso vespeiro. Resultado: a Associação Médica Brasileira   passou a torpedear a importação, de maneira aberta e pouco republicana. Pior: elegeu os médicos cubanos como inimigos número um do país, até com ameaça de chamar a polícia.
Os médicos brasileiros, que falam grosso pela sua associação nacional e alguns conselhos regionais    sentem-se  ofendidos porque o governo resolveu  trazer profissionais de outros países para ocupar as vagas que os daqui não quiseram.  E meio que na marra, quase  a fórceps, o Ministério da Saúde tirou o programa da gaveta, trazendo médicos argentinos, espanhóis, portugueses e cubanos, entre outros. Mas os cubanos são malditos, podem ser presos porque a AMB , com seu bisturi ideológico, não os aceita.
Por que será? Todo mundo sabe que a medicina cubana é referência mundial em várias especialidades. Os médicos cubanos são bem formados, tanto que Cuba exporta seus profissionais, até na fase de residência, para vários países, principalmente do Oriente Médio  e da África.
O discurso da classe (conceito de classe à parte, não tem como negar que os médicos são uma classe) é de que não falta médico no Brasil, faltam condições de trabalho. Verdade incontestável  essa. E para  municípios pequenos que não oferecem boas condições de trabalho  médico nenhum quer ir. Estão os médicos errados? Claro que não. Escolher onde morar, onde trabalhar, onde viver, é uma prerrogativa do cidadão livre. Mas a prerrogativa não justifica  a sabotagem, muito menos que os interesses corporativos podem servir de pretexto para  fazer refém um  sistema público enfermo.
 Em países desenvolvidos como Inglaterra e  Estados Unidos, suprir de médicos as comunidades mais distantes dos grandes centros urbanos já faz parte de uma agenda social de estado e não apenas de governo.
Alguém poderia imaginar carência de médicos no Reino Unido, nos EUA e países escandinavos, caso da Noruega, por exemplo? Mas a carência existe de fato. Como de fato, aqui a carência é bem maior, como grande também, é o apego à zona de conforto em que a esmagadora maioria dos médicos se encontra.
Claro que o programa MAIS MÉDICOS não busca milagre e nem altruísmo nos profissionais, posto que “curar é finalidade secundária da medicina, se tanto”, na avaliação do engajado Dráuzio Varela. O que o país precisa  mesmo, e isto acredita-se que os “importados” trarão,   é  uma postura mais humanista, diante da cruel realidade do SUS. 
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. Este artigo foi publicado na página 2 do O Diário do Norte do Paraná, edição de 27/08/2014