15 de abril de 2019

O Brasil prende, prende, prende. Mas e daí?

PRENDER O BRASIL PRENDE MUITO. MAS QUANTO MAIS PRENDE MAIS A VIOLÊNCIA CRESCE

Sentenciados são mortos por seus próprios companheiros de cela; agentes penitenciários, policiais e familiares são mortos ou transformados em reféns nos presídios; fugas espetaculares, criminosos aos montes ganhando as ruas e colocando em risco a sociedade. Esta é a realidade do sistema prisional brasileiro, que abriga, praticamente como animais, quase um milhão de presos, capturados (ou recapturados) nas periferias das grandes cidades e a maioria envolvida com o tráfico de drogas.
Não é nenhuma novidade dizer que o Brasil é um dos países do mundo que mais prende. E que, quanto mais prisões são efetuadas, mais aumenta a violência nas ruas, mais à mercê da bandidagem fica a população. Não é preciso ser especialista na área para saber que só prender não é solução e que o endurecimento das penas não terá reflexo positivo na questão da violência, cujos índices são assustadores.
Qualquer estudante de Psicologia, Sociologia ou mesmo Antropologia percebe que mecanismos como aumentar a pena máxima e reduzir a maioridade penal, por exemplo, não terão qualquer impacto na redução da criminalidade. Prender, prender e prender, está provado que é jogar gasolina na fogueira. Um delinquente que é jogado numa cela apinhada de marginais perigosos vai, das duas uma: morrer lá dentro ou tornar-se tão perigoso quanto.
O projeto do ministro Sérgio Moro endurece a legislação penal, mas dizem especialistas que não levará o país a lugar nenhum, se não houver investimentos pesados no sistema carcerário, para que seja ressocializador e não multiplicador de bandidos. Se o Brasil entrar nessa, de que preso tem que ser mesmo amontoado nas celas frias para pagar pelos crimes que cometeu, como pretende o presidente Jair Bolsonaro, aí então é bom que rezemos, porque desse jeito, vamos assistir a situação que já está caótica, piorar cada vez mais.

3 comentários:

Anônimo disse...

As facções começaram dentro das cadeias. Se o Estado não se organiza o crime se organizou. A cada dia o Estado manda jovens pobres , sem estudo e e com penas altas para para o cárcere. Neste caso o jovem ou entra para a facção ou será perseguido por ela. Complicada a situação. Somente investimento em educação de qualidade, pública, gratuíta e por longa data para resolver o problema das cadeias.

Zé disse...

Com o BOzo/Moro a situação piorou, gente inocente estão sendo assassinadas pelo estado.

Renato disse...

Estamos marchando para o estado autoritário policialesco, implantado graças ao desejo da elite econômica nacional, que não tem condições de filosofar sobre o país e a Humanidade. Virá o momento no qual ninguém mais terá coragem de sair às ruas, a não ser em carros super-blindados, que trafeguem de uma toca para outra em alta velocidade, sujeito a saraivadas de projéteis de todo tipo. O povo pobre não vai morrer, vai se espremer como puder, nos guetos das periferias, contidos por muros. Terá armas, porque a corrupção vai aumentar e muito, já sem freios morais para ser contida. O capitalismo avançado nada mais é do que uma espécie de pirataria. Ele transforma as próprias igrejas em pirataria. A falência da Democracia é a mais terrível doença social, porque é uma doença mater. Diz Hannah Arendt: "A dominação total não permite a livre iniciativa em nenhum campo da vida, em nenhuma atividade que não seja inteiramente previsível". "O totalitarismo no poder substitui invariavelmente a todos os talentos da primeira fila, sejam quais forem suas simpatias, por aqueles fanáticos e lunáticos cuja falta de inteligência e de criatividade segue sendo a melhor garantia de sua lealdade". (Hannah Arendt, Origens do Totalismo".