Americanizar o português é uma prática
da moda. Expressões que nos seriam familiares, foram cunhadas em inglês, não
sei se por parecer chic ou se mesmo pra nos confundir. O exemplo mais presente
é compliance, que nada mais é do que
compromisso, que pode ser com a transparência, com a ética, com as leis e
regulamentos, mas pode ser também com a desumanização das relações de
trabalho,que é o que já vinha acontecendo com a reforma trabalhista e agora se aprofunda com a MP da Modernidade Econômica. É um compromisso com a desburocratização, diz o governo e repercute a
mídia. Mas não há por parte dos comentaristas de economia, compliance com a verdade sobre a proposta,
que desburocratiza sim, mas impõem ao trabalho um ônus muito pesado, como por
exemplo, o de afrouxar a fiscalização na
segurança do trabalho, num momento em que o Brasil lidera o ranking ocidental dos
acidentes e das doenças ocupacionais. Some-se a isso, a perversidade da liberação geral para funcionamentodo comércio e indústrias nos domingos e feriados. Pela proposta original do ministro Paulo Guedes, o empregado teria o direito de uma folga a cada sete domingos. Mas a "generosidade" do relator na Câmara, reduziu pra quatro. Ou seja, o trabalhador terá um domingo de folga a cada mês. Vida social? Pra que o trabalhador precisa ter vida social? A convivência domingueira com amigos e familiares, o lazer e a prática esportiva? Pra que? Trabalhador vive é pra trabalhar e não tem essa de trabalhar pra viver, Assim reza o manual da modernidade e do compromisso.Melhor, da compliance.
Sérgio Moro deu entrevista à CNN e mostrou-se despreparado e por fora de tudo quando foi instado sobre problemas sociais. Não consegue se aprofundar em nada, não vai além do senso comum, seja qual for o tema abordado. Ele só não é tão raso quanto seu ex-chefe Bolsonaro, mas consegue ser pior do que o cabo Daciolo. O papo do ex-juiz tem a profundidade de um pires. Essa é a terceira via que a Globo e certos setores da elite e da classe média metida a besta defendem?
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