


Não sei a quantas anda a discussão sobre pistolas que dão choque e sua utilização pela Guarda Municipal de Maringá. Mas me ocorreu comentar o assunto ao ver imagens de uma manifestação de estudantes contra o preço da passagem de ônibus em São Paulo. A polícia investiu contra os manifestantes com as tais "armas não letais". O resultado não foi trágico, porque ninguém morreu de tiro. Mas foi desastroso, com demonstração explícita de intolerância por parte do Estado que, ao repelir com violência manifestações de descontentamento da sociedade, agride de maneira irremediável a democracia e o estado de direito. Me bateu uma paúra, só de pensar que nossos guardas municipais seriam imediatamente chamados e intervir em uma manifestaçao contra eventuais desmandos da "administração cidadã".
Já imaginou o povo nas ruas exigindo apuraçãpo rigorosa no caso dos desvios do dinheiro da saúde? Pensou num dos guardas atirando com suas pistolas elétricas contra a multidão?
Acho até que a sociedade organizada de Maringá precisa retomar o debate e passar a questionar duramente o entusiasmo do prefeito com relação a essas pistolas.Os choques provocados pelas chamadas armas não letais até nem produziriam efeitos catastróficos, de tragédia. Mas não há como aceitar repressão às massas, como forma de calar a boca dos que ousam desafinar o coro dos contentes.
O argumento da utilização das pistolas para inibir o crime não convence, porque bandido não se contém com descarga elétrica, mas com ação repressiva e inteligente das forças regulares de segurança. Até as pombinhas amargosas da Praça Raposo Tavares haverão de deduzir que "sua excelência" não resistiria a tentação, por exemplo, de mandar ver em descargas elétricas contra, por exemplo, servidores públicos em greve. Pensem comigo: o que teria acontecido na greve de 2006, caso houvesse uma Guarda Municipal armada com as tais pistolas?
Já que querem dar choque no povo, então que dêem choque de gestão e choque de ética na comuplsão pela improbidade, que parece andar em alta por aqui.
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