13 de agosto de 2011

Padre Orivaldo, sobre os pais


Reconhecendo minha incapacidade de produzir texto tão denso quão profundo, faço minhas as palavras do padre Orivaldo Robles, ilustre sacerdote da Arquidiocesse de Maringá:

"Fique claro que não acompanho novela. Nenhuma, em tempo nenhum. De alguma, por famosa, lembro o nome, ainda que não conheça a trama. Mas o gênero caiu no gosto popular. A partir de cenários nossos, autores brasileiros levaram a dramaturgia televisiva a outros países. Artistas de novelas nacionais se converteram, no Exterior, em figuras populares.

Apesar de não as seguir, tantas são exibidas e em tantos momentos que, ao buscar o noticiário, fica difícil escapar de algum fragmento novelesco. Embora muito pouco e descontextualizado, o que tenho visto me assusta pela frequência com que novela – de qualquer horário e de qualquer autor – trata da descoberta do verdadeiro pai ou mãe de alguém. Afinal, em novela brasileira todos transam com todas? Pelo jeito, a esbórnia corre solta e, com extrema facilidade, se trocam parceiros de cama. Lá na frente, na continuidade do roteiro, vem a bomba: você é filho(a) de fulano!

Não estranha, pois, que, na vida real, um espírito de aventura inconsequente domine tantos relacionamentos humanos. De um jeito ou de outro, todas as noites, milhares (milhões?) de famílias são envolvidas por situações e ambientes produtores de uma felicidade ilusória, instantânea e descartável. Não se diz que a vida imita a arte? Aqui, é verdade, de arte quase nada se vê; a fartura maior é de sacanagem mesmo. Admitindo-se ou não, o irreal universo das novelas povoa o ideário de milhões de pessoas comuns. Chega a ditar comportamentos.

Quem duvida pode conferir como novela cria moda: roupas, penteados, adereços, falas, trejeitos etc. De forma subliminar bastante eficaz, muita gente acaba assumindo o mundo da telinha como roteiro de vida para seu mundo real.

Não me acusem de puritanismo, por favor. Apenas me recuso a aceitar a grosseira banalização que aprontam com a sexualidade humana, sagrado instrumental da vida. Alguém tem que gritar com toda a força: é uma baixeza a forma como vem sendo tratado o exercício do sexo entre as pessoas. Na televisão e no dia a dia de adultos, de jovens e até de crianças.

Nesta véspera de Dia dos Pais, que tal assumirmos, com serenidade e isenção, a responsabilidade por uma sociedade mais humana, solidária e cristã? Não gerei nenhum descendente segundo a carne. Sinto-me, porém, comprometido com jovens e crianças, a quem Deus me concedeu a graça de amar como filhos. É com eles, com seu futuro que me preocupo. Se um adulto opta por ações passíveis de restrição ética e moral, isso é lá problema seu. Que não inclua, porém, em sua opção pessoas inocentes ou de frágil discernimento.

Imagino a angústia e a incerteza com que olham para o futuro pais verdadeiros – eles existem, sim, até em grande número, podem crer. Pais que chegam a se privar da comida para assegurar aos filhos uma vida digna e mais confortável do que, em seu tempo, tiveram. Ao longo de quase 45 anos de ministério, pude conhecer pais maravilhosos, que constituem para os filhos motivo de orgulho e de verdadeira devoção. Pais que, ao virem a faltar, abrem no coração da família uma lacuna que ninguém jamais preencherá. Pais como o meu, com quem, passem quantos anos passarem, não nos cansamos de aprender dignidade e honra. Homens dessa estirpe fizeram-se pais por madura decisão, jamais por obra do acaso ou da irresponsabilidade".






Nenhum comentário: