31 de julho de 2018

Esse é o falso


"Aviso pra direita brasileira. Este cara que vcs tão comprando é falsificado. Se querem o original vão num centro espírita e entre em contato com ele. Mas aprendam a falar alemão".
   . Edilson Pereira, jornalista 

30 de julho de 2018

Um tapa na cara da militância



O Ceará tem um senador de respeito: José Pimentel, do PT. Mas este senador de respeito não vai disputar a reeleição porque o acordo feito entre o PT cearense e o MDB, tira Pimentel da jogada, para facilitar a vitória de Eunício Oliveira, um dos artífices do golpe no Senado, casa que preside atualmente. A outra vaga fica para Cid Gomes, irmão de Ciro, que vai estar com o petista Camilo Santana, que busca a reeleição pra governador. Camilo é do PT, mas defende desde sempre uma aliança nacional do partido com Ciro, justamente por ter certeza que o TSE não liberará Lula para a disputa.
Camilo e Cid no mesmo palanque é compreensível e aceitável, o que a militância petista não aceita é a aliança com Eunício e a rasteira dada em Pimentel. Líder absoluto em todas as pesquisas, Camilo Santana não precisa de Eunício, por mais que o MDB agregue tempo de televisão. E em nome desse tempo, o PT cearense lascou foi um tapa na cara da militância, cujo estralo ecoa por todo o país.

O 2 de agosto na Argentina


O jornalista Ariel Palácios, correspondente da Globo para a América Latina, que reside em Buenos Ayres, publica matéria na revista Época sobre o 2 de agosto. Lembra ele que os argentinos comemoram nessa data “o dia do filho da puta”. E por que 2 de agosto? Porque é a data de aniversário do ex-presidente Rafael Videla, o general que mais matou opositores durante ditadura no país vizinho.
Se fôssemos instituir o “dia do filho da puta” no Brasil, que data seria escolhida? Aniversário de quem? Há várias sugestões, mas eu acho que numa votação plebiscitária, Michel Temer seria imbatível.

Estupromaníacos

                                       Por Leandro Fortes*, em 29/12/2017
                                   


Há algo de extremamente doentio na relação da extrema direita com o crime de estupro, embora isso não seja, exatamente, uma novidade.

Na horripilante alegoria do fascismo feita pelo cineasta Paolo Pasolini, em 1975, “Saló ou 120 dias de Sodoma”, um grupo de jovens, homens e mulheres, é sequestrado por militares fascistas para ser brutalizado e submetido a todo tipo de sevícia sexual.
No filme, as cenas de sadismo, escatologia e tortura são o pano de fundo para as sequências de estupro, um instrumento de dominação presente em todas as masmorras de governos autoritários, uma arma de guerra de todos os exércitos – um método de terror que nunca se perdeu no tempo.

No Brasil, o uso do estupro para aterrorizar e torturar presos políticos, sobretudo as mulheres, tornou-se um legado patológico da ditadura militar transformado em um incontrolável desejo sexual pelos psicopatas de direita. Ora pensado como instrumento de vingança, ora como punição necessária aos que não rezam pela cartilha fascista.

Jair Bolsonaro, processado no Supremo Tribunal Federal por incitação ao estupro da deputada Maria do Rosário (PT-RS), reúne em si e em torno de seus seguidores todas as variáveis dessa patologia. Ao votar pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Bolsonaro fez questão de homenagear o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, a besta fera que torturava presos políticos no DOI-CODI de São Paulo, nos anos 1970.
Lá, Ustra colocava ratos nas vaginas de mulheres e organizava sessões de estupros para aterrorizá-las. Ato contínuo, colocava as próprias filhas para brincar com as presas recém-seviciadas, como denunciou, no histórico artigo “Brinquedo macabro”, o jornalista Moacir de Oliveira Filho, o Moa.
Ustra era um demente monstruoso.

Por essa razão, não deixa de ser coerente que os admiradores de Jair Bolsonaro, hidrófobos alimentados por uma ração permanente de ódio, ignorância e intolerância, infestem as redes sociais para comemorar o assalto sofrido por Maria do Rosário. E, mais ainda, demonstrar imenso descontentamento por ela não ter sido estuprada.
Trata-se de uma matilha adestrada pela narrativa que relaciona Direitos Humanos à defesa de bandidos. Uma deformação de pensamento que, infelizmente, revela a precariedade da educação básica brasileira, principalmente nessa classe média iletrada e reacionária que, hoje, sustenta a candidatura de um idiota que comemora um assalto e torce pelo estupro de uma mulher”. 

                   ·         Leandro Fortes é jornalista, escritor e professor universitário




29 de julho de 2018

Lições do passado que a esquerda não aprendeu

Vi hoje na TV Senado um documentário maravilhoso sobre o Golpe de 1964, que derrubou o governo João Goulart , não pelos seus defeitos, mas pelas suas qualidades. O pretexto era o comunismo. Acusavam Jango de comunista quando na verdade ele era um grande fazendeiro, porém nacionalista e muito comprometido com a justiça social. Ao lado dele, um timaço de líderes políticos e intelectuais defendiam com incrível determinação as reformas de base. Isso, naturalmente, incomodava a elite brasileira, que incentivada pelos Estados Unidos, começou a cooptar oficiais de alta patente das Forças Armadas, principalmente do Exército, onde se destacavam generais como Castelo Branco, Golbery do Couto e Silva, Mourão Filho, entre outros.

Nesse documentário, depoimentos de ninguém menos que Darcy Ribeiro (uma das cabeças mais brilhantes do país em todos os tempos), Valdir Pires, Almino Afonso e o jornalista Mauro Santayana. Segundo Almino, então Ministro do Trabalho,o golpe começou a ser engendrado com a renúncia de Jânio e a resistência dos militares em permitir a posse do vice, João Goulart, que estava em missão oficial à China de Mao Tsé-Tung. Mas aí houveram todos aqueles arranjos do parlamentarismo, que depois o próprio Jango conseguiu derrubar por meio de plebiscito.
O projeto nacionalista de Jango, de colocar freio no capital estrangeiro e de levar adiante a reforma agrária, deixou a elite empresarial irada. E o discurso anticomunista se aprofundou tanto, que a Igreja Católica entrou na onda e assumiu definitivamente o seu papel na conspiração a partir da morte do Papa João XXIII.

Mas segundo Almino, o detonador do movimento conspiratório, que desaguaria na derrubada de Jango em 1º. De abril de 1964, foi uma carta escrita por ele, que o Jango enviou ao presidente John Kennedy, comunicando a recusa do governo brasileiro em colaborar com o envio de um navio de guerra com a invasão da Baia dos Porcos, de onde pouco tempo depois as tropas norte-americanas amargaria uma derrota humilhante , ao ser expulsas pelos comandados de Fidel Castro, a quem a Casa Branca pretendia derrubar.

Num encontro formal que os dois presidentes teriam em Washington tempos depois desse episódio, Kannedy ameaçou Jango: “Você vai pagar caro pela negativa de apoio”. E pagou realmente, não mais sob o governo Kennedy, porque ele havia sido assassinado, mês pelo sucessor Lyndon Baines Johnson. O resultado final dessa história foi o golpe que jogou o Brasil no obscurantismo de 1964 a 1985.

O documentário deixa em quem o assiste a percepção de que , guardadas as devidas proporções e ressalvadas as respectivas circunstâncias históricas, o Brasil está diante de um quadro muito parecido. E a esquerda, que não formou um bloco monolítico nem na Frente Ampla, para se contrapor aos militares e restaurar a democracia, parece que não aprendeu a lição.

28 de julho de 2018

Tropeços da língua



Segundo Ruth Bolognesi, Ratinho Júnior reuniu um time de craques para elaborar seu programa de governo. Está tendo verdadeiras aulas de estrutura organizacional do estado. Só falta agora ter aulas de português, já que por onde passa tropeça nos verbos e plurais.

Governo autoriza imposto sindical, mas só para o patrão




                          . Por Fernando Brito  
Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, no Estadão, mostram como é hipócrita a discussão sobre o imposto sindical, revelando que um decreto do governo Temer deu um “jeitinho” de compensar sindicatos, federações e confederações empresariais da agricultura com parcelas das contribuições que o setor faz às entidades do “Sistema S”, tal como já está acontecendo em outras áreas da atividade econômica.
É, claro, uma apropriação indevida de recursos que não se destinam a isso e que, nem de longe, o outro pólo sindical, os trabalhadores, possuem para enfrentá-los.
O que é hoje o “Sistema S” vem do final da Segunda Guerra, quando o empresariado – basicamente, o industrial – liderado por Roberto Simonsen e Euvaldo Lódi quis fazer frente a dois problemas: a crescente falta de mão-de-obra qualificada para a indústria, pois havia caído a chegada de imigrantes europeus ao Brasil e, ao mesmo tempo, dominar o colchão das relações sociais representando pelo ensino técnico e assistência social, além da promoção de lazer e cultura.
O ministro da Educação de Vargas, que depois virou um udenista que pensava (sim, isso havia) opôs-se fortemente a isso, defendendo a formação de uma rede de escolas técnicas estatais. Embora fizesse várias (e de boa qualidade, como o hoje Cefet do Rio, antiga Escola Técnica Nacional, de 1942), o grupo empresarial obteve a criação de uma contribuição obrigatória das empresas para sustentar, inicialmente, as duplas Senai/Sesi e Senac/Sesc, de onde vieram os outros “S”.
Agora, com o dinheiro do sistema liberado para a Confederação Nacional e para as federações patronais da agricultura, consuma-se e formaliza-se o que todo mundo sabia: a atividade sindical do patronato é financiada pelas verbas do Sistema S que, são, afinal, obrigatórias e de natureza paraestatal.
Claro, o sindicalismo patronal é “limpinho e cheiroso”, como estamos vendo no caso escabroso do Sesc do Rio de Janeiro e de seu presidente Orlando Diniz, presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, preso sob a acusação de desviar mais de 10 milhões de reais de recursos públicos provenientes do Sesc/Senac, por meio de notas fiscais e de repasses a pessoas de confiança do ex-governador Sérgio Cabral.
Máfia sindical, claro, só existe entre os trabalhadores. A dos empresários, claro, “não vem ao caso”.



27 de julho de 2018

Contra a comida envenenada




Um movimento chamado Banquetaço, formado por chefs de cozinha, nutricionistas, agricultores e membros de vários conselhos municipais de segurança alimentar, decidiu ir para o enfrentamento contra o “pacote do veneno”, que por intermédio de lei a ser aprovada pelo Congresso Nacional, abre legalmente a porteira para o uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras brasileiras.
O que o Banquetaço defende com unhas e dentes é uma alimentação sadia e de verdade, com base em produtos oriundos da agricultora familiar, feita em cima de parâmetros da agroecologia. Ou seja, produtos naturais, sem a carga de veneno que os grandes produtores derramam  sobre as lavouras de soja, milho, algodão e cana de açúcar.
O alimento que chega à mesa do brasileiro é, em sua maioria, oriundo da agricultura familiar, que não tem hoje o incentivo que deveria ter. Bem ao contrário do que se propõe a divulgar com grande estardalhaço da mídia tradicional a Feira SENAR de Alimentos e Gastronomia, programada para este sábado no Parque Ibirapuera, em São Paulo.
Diz o pessoal do Banquetaço que essa feira vai na contra-mão do esforço que se faz em prol de uma agricultura limpa, na medida em que tenta uma aproximação da sociedade ao agronegócio, que em nome da produção em escala para exportação,  faz lobby pela salvaguardas das culturas tradicionais , dependente cada vez mais de cargas excessivas de agrotóxicos.
O movimento critica a realização da Feira SENAR , que “não passa de uma ação, uma cortina de fumaça, para esconder a política de envenenamento crescente da agricultura e pecuária, como pretende o setor que promove a iniciativa. Ao repudiá-la, conclamamos todos os trabalhadores da cadeia alimentar a cerrarem fileiras contra o pacote do veneno, exigindo a redução do uso dessas substâncias da morte na alimentação de todos nós”.
Só pra lembrar, o relator do PL que  facilita a comercialização de pesticidas  foi  o deputado maringaense Luiz Nishimori, elogiado pela bancada ruralista mas muito criticado pelos defensores da agroecologia.

26 de julho de 2018

Vá de retro, satanás!


O povo anda desesperançado e com medo da violência. Aí chega alguém falando, não o que ele precisa ouvir, mas o que ele quer ouvir, e o conquista. Assim foi com Hitler, num momento em que a Alemanha estava em frangalhos, pós-primeira guerra e humilhada pelo Tratado de Versalhes. Guardadas as devidas proporções e respeitadas as circunstâncias históricas, completamente diferentes, assim está sendo com Bolsonaro, desse Brasil destroçado por um golpe parlamentar, liderado por um gangster.
O que se seguiu, foi uma onda moralista e de ódio ideológico , alimentada pela operação Lava-Jato, que certamente faria história e significaria o passo inicial para o combate definitivo à corrupção no país, não fosse a sua partidarização e caráter explicitamente seletivo.
Muitos comparam a Lava-Jato com a Operação Mãos Limpas da Itália. Porém, Moro está longe de ser um Borrelli e é possível que Dalagnol até consiga se aproximar de Di Pietro.
O magistrado italiano evitou sempre os holofotes; o magistrado brasileiro buscou a todo momento, as luzes e as lentes. Talvez o promotor mais midiático daqui acabe, lá na frente, descambando para a política, como fez o de lá.
Mas , sinceramente, temos que lutar (e nessa luta pode-se incluir muita oração) para que, ao cabo , a Lava-Jato não importe o exemplo italiano, fazendo de Bolsonaro o nosso Berlusconi. Vá de retro!
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24 de julho de 2018

Ciuminho, beicinho...lideranças políticas jogam o jogo da hipocrisia


              . por Ruth Bolognese
        (o título é meu)
A cada dia as alianças para a disputa ao Governo do Paraná promovem situações que caberiam mais na sessão da tarde do que no ambiente político. Os candidatos trocam recadinhos marotos, se provocam, fingem dizer adeus para sempre e daí a pouco se juntam de novo.
O senador Roberto Requião, por exemplo, utiliza seu belo sobrinho de olhos azuis, deputado federal João Arruda, como candidato de plantão do MDB ao Governo. Quer enciumar Osmar Dias e apressar a data do noivado.
O ex-governador Beto Richa fez beicinho para a convenção da governadora-candidata Cida Borghetti e provoca a ira do marido dela, Ricardo Barros. Agora, Barros quer dar adeusinho a Beto, bate o pé, mas pode voltar tudo ao que era antes.
Ratinho Jr chama papai para segurar um partidinho, o PRB, do qual não quer abrir mão e ele faz as vontades do filhinho. E ainda telefona para os prefeitos pedindo apoio para “Meu Garoooto!”.
E os paranaenses, enquanto isso, trabalham como gente grande pra botar comida na mesa todos os dias.


A chapa Bolsonaro e Janaína Paschoal é o casamento do golpe com a vontade de matar.
  . Por Kiko Nogueira

Roda-Viva espremeu Ciro e Manoela e só jogou flores para Alckmin



Quem assistiu aos programas em que os entrevistados eram Ciro Gomes e Manoela D´ávila, deve ter ficado com náusea do Rida Viva da última segunda-feira , onde estava Geraldo Alckmin. A candidata a presidente pelo PC do B foi massacrada pelos entrevistadores, que só faltaram dizer que ela tinha culpa no genocídio promovido por Stálin na Rússia. Com Ciro foi um pouco diferente, porque os entrevistadores tentaram arrochá-lo, mas caíram do cavalo porque o cara é bom de briga e tem argumentos para reduzir a pó os que o provocam.
Com Alckmin, foi só rasgação de seda. Foi um programa sem sal e sem açúcar, como convinha ao “picolé de chuchu”. Coisa semelhante eu tenho ouvido nas entrevistas da CBN pela manhã, onde a cordialidade ou a rispidez dos questionamentos dependem muito do entrevistado. Hoje, por exemplo, o convidado era Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e responsável pela elaboração do programa de governo do pré-candidato Lula,embora se saiba que possa ser ele, Hadade, o candidato devido ao impedimento legal do ex-presidente. Haddad chegou a perder a paciência com as insinuações nada republicanas do Camarotti e a entrevista virou quase um bate-boca.


20 de julho de 2018

O Centrão isola Ciro e esmaga Bolsonaro


E SE UNE PARA FAZER O TUCANO VOAR


O centrão aplicou na esquerda um verdadeiro ipon ao fechar em bloco com a candidatura Geraldo Alckmin. Numa só cajadada, matou dois coelhos – Bolsonaro, que ficará reduzido a 8 segundo de televisão e Ciro Gomes, que ficou isolado , também sem o apoio da esquerda, hiper fragmentada e pronta para o exercício pleno da autofagia.
A coligação formada em torno do ex-governador de São Paulo por vários partidos de centro e de direita foi muito celebrada por comentaristas políticos da mídia tradicional. Merval Pereira (Globo News e CBN) está exultante. Gerson Camarotti, igualmente atuando em todos os veículos de comunicação do sistema Globo parecia sentir orgasmo ao comentar “golpe de mestre”, que pouco se fala mas vinha sendo engendrado há dias por Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.
O plano deles é alavancar a candidatura de Geraldo (opus dei) Alckmin e se ele não decolar, darão um jeito de defenestrá-lo para a entrada em cena de João Dória , que na visão do “farol de Alexandria” , é o único tucano capaz de empolgar o grande público na atual conjuntura.
O pacote incluiria a manutenção da candidatura Henrique Meireles, que servirá de escada para o postulante do PSDB decolar. Temer e FHC estão juntos nessa empreitada e não se enganem, Alckmin deverá fazer duras críticas ao governo de MiSHELL, tudo combinado.
É certo que toda a grande mídia estará com Alckmin (ou Dória, se for o caso). A jogada inclui a indicação de Josué de Alencar, filho de José, que foi vice de Lula e o apoio decisivo e determinado do mercado financeiro,do agronegócio e dos evangélicos.
Agora, a chamada direita civilizada está com a faca e o queijo na mão. A estratégia tem como objetivo imediato fazer a candidatura Bolsonaro virar pó, porque tanta incapacidade discursiva só atrapalha. E se a esquerda mantiver nessa toada, de girar a roda só em torno de Lula e assim, inviabilizar uma candidatura consistente e sem impedimento legal, estará entregando o Brasil de mão beijada aos apátridas do PSDB e do centrão.

17 de julho de 2018

Quando vida imita a ficção



A mídia tradicional capitaneada pela principal rede nacional de televisão vem tentando desde a condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, fazer o país acreditar que o ex-presidente estava politicamente morto e sepultado. Aí veio a prisão e pronto. Não há mais estratégia alguma que possa evitar o seu ostracismo . Pois bem, Lula chegou ao centésimo dia encarcerado na PF de Curitiba e, mesmo com sua candidatura momentaneamente inviabilizada pela Lei da Ficha Limpa, continua liderando todas as pesquisas. A cada dia que passa mais crescem os movimentos de apoio a Lula, no Brasil e no exterior. O baronato e a classe média metida a besta, que abandonou as panelas e passou a mão na erfly para tentar fritar o “sapo barbudo” sem óleo, ainda não perceberam que vão gradativamente se transformando em pessoas minúsculas, quase liliputianas, diante do gigante Gulliver. 


15 de julho de 2018

NÓIS É NÓIS FC


Viva o dna africano da França!


Um grande jogo com vitória merecida da França. Como eu disse antes, seria difícil misturar geopolítica com a arte de jogar bola. Ainda que o amigo Ganchão tenha me puxado um pouco para o lado da França com sua observação de que os croatas são adeptos da Ustasha (movimento pró nazista), não resisti à tentação de torcer pela arte de jogar bola do cracaço Modric

Que belo futebol o da Croácia ! E isso era o que mais importava. Porém, a França foi mais time, embora os croatas, mais raça. Prevaleceu o mais time, com um placar incontestável de 4 a 2.
Então, viva a diversidade étnica e racial ! Viva o dna africano da França, que um dia antes de comemorar o bi-campeonato mundial tinha festejado os 229 anos da queda da Bastilha !

13 de julho de 2018

É chegada a hora de municipalizar




Não é possível que a mídia tradicional, principalmente a eletrônica (Globo à frente), vá continuar calada em relação a mais um crime de lesa pátria praticado pelo presidente  TEMERrário . No último dia 6, ele editou uma medida provisória que, na prática, revoga as Leis 9.984/2000 e 11.445/2007. As duas leis criaram a Agência Nacional de Águas (ANA) ao mesmo tempo em que estabeleceram diretrizes nacionais para o saneamento básico.
A MP 844  prevê a privatização dos sistemas de água e esgoto da maioria das cidades brasileiras. Só os municípios economicamente rentáveis  poderão se safar da privatização. Poderão, porque os que pensam, como Temer, que água é mercadoria a ser comercializada na bolsa de valores, virão com tudo pra cima das companhias estatais (caso da SANEPAR, já semi-privatizada) e dos prefeitos onde o saneamento é municipalizado.  
Por isso, este é o momento de Maringá dar todo o apoio ao prefeito Ulisses Maia, para que ele realmente municipalize o serviço  de água e esgoto da cidade e , uma vez feito isso, resista a pressão, que vai vir com tudo pra cima dele e dos vereadores.

Crivella, um exemplo a ser combatido. Mas não com a mesma motivação da Globo


SE PECADO CAPITAL EXISTE, O USO DA BÍBLIA COMO PLATAFORMA DE CAMPANHA É UM DELES

O caso dos sucessivos pedidos de impeachment contra o prefeito do Rio Marcelo Crivella deve ser visto por pelo menos dois ângulos - o da transformação do ente federativo em extensão da Igreja Universal, o que é um absurdo, pois o estado é laico e o da fritura a que o sobrinho de Edir Macedo foi submetido pela Rede Globo, que se sente cada vez mais incomodada com a Rede Record nos seus calcanhares.
A Globo detona Crivela com o mesmo apetite com que detonava Brizola, ameaça constante ao império dos Marinho. Para entender melhor a ira da Globo contra o prefeito do Rio basta ver esses números, divulgados pelo site Nocaute, do Fernando Morais:
“O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes aumentou os gastos com publicidade em mais de 4.000% (de R$ 650 mil a R$ 29 milhões de reais), no primeiro ano como prefeito. No final do primeiro mandato de Paes o valor chegou a R$ 150 milhões. O Grupo Globo foi o principal destinatário dessa montanha de dinheiro. Em 2015, final do segundo mandato de Paes, a Prefeitura do Rio destinou R$ 23 milhões à Globo. Rivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal, cortou as verbas publicitárias destinadas à Rede Globo e começou a dar ao grupo o mesmo tratamento dispensado aos demais veículos de comunicação. Com isso, o conglomerado dos Marinho deixou de faturar quase R$ 50 milhões de receita no ano passado”.
A gestão Marcelo Crivella, no entanto, pode servir como exemplo do mal que a mistura de política com religião faz à democracia. Segundo apuração do Ministério Público, o prefeito prioriza a nomeação de seguidores da Igreja Universal nas nomeações para os cargos comissionados na administração municipal do Rio. Além disso ele é acusado de oferecer facilidades a pastores e freqüentadores da Universal no atendimento pelo SUS, bem como no pagamento de impostos.
É preciso que os formadores de opinião se debrucem sobre essa questão complexa da participação dos evangélicos na política. Não por serem evangélicos, mas os candidatos que pertencem a qualquer das denominações religiosas não podem usar a Bíblia como palanque das suas campanhas. A facilidade que eles têm de cooptar corações e mentes com seus discursos religiosos é grande e isso cria uma distorção brutal, porque para os políticos pastores quem segue suas orientações é de Deus, quem as contraria, é do diabo.
Tenho parentes e amigos evangélicos, que merecem o maior respeito e admiração pela fé inabalável que ostentam. Mas não dá para confundir a Bíblia Sagrada com a sagrada Constituição da República. Nesse sentido, a bancada evangélica , que só está que cresce no Parlamento é um desserviço ao país.
Vamos prestar mais atenção ao sábio provérbio português, segundo o qual “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

12 de julho de 2018

Entenda porque RB fala em ser candidato a presidente



Os analistas políticos, principalmente do Paraná, estão desde ontem se debruçando sobre o anunciado desejo de Ricardo Barros ser candidato a presidente. A leitura que faz, por exemplo,o experiente jornalista político Cícero Catani, é de que isso pode fazer parte da estratégia do Palácio do Planalto de usar Barros para minar a debandada do centrão para a candidatura Ciro Gomes. Michel Temer teria ameaçado tirar o PP do governo caso pepistas continuem acenando para o candidato do PDT. E falou em perder a fatia do partido no banquete palaciano Ricardo e seus correligionários  se inquietam.

Se Michel Temer avaliar que a candidatura de Ricardo a presidente é o mecanismo que ele precisa usar para evitar que o PP corra para os braços de Ciro Gomes, Ricardo será candidato. Mesmo  sabendo que isso poderá afundar de vez a candidatura da esposa Cida Borghetti a governadora do Paraná. Catani lembra, a propósito, que Ricardo Barros não bate prego sem estopa.

11 de julho de 2018

Dá-lhe Croácia!





Depois de se declarar independente da Iugoslávia em 1991, de ter que enfrentar uma guerra com a Sérvia,  mas e recuperar todos os seus territórios ocupados   a Croácia cresceu no esporte e entra nessa Copa do Mundo como uma potência do futebol. Por ironia do destino tirou hoje das finais da Copa do Mundo justamente os inventores do esporte bretão.
Confesso que depois de torcer pela Bélgica, e perder, eu estava disposto a torcer pela Inglaterra, pela simples e boa razão de que ingleses e franceses fariam uma final de arrepiar no domingo. Mas quando o jogo começou, minha tendência de sempre torcer pelo (teoricamente, pelo menos) mais fraco, acabou prevalecendo. Até porque depois de sair atrás no placar, os croatas mantiveram a mesma pegada e sem se abater em nenhum momento empatou no  segundo tempo, levando o jogo para a prorrogação. Mais inteira, inclusive emocionalmente, venceu no tempo extra e vai fazer a final com a França.
Foi a terceira prorrogação da Croácia nesta copa, vencendo as duas partidas anteriores nos pênaltis. Então, um time desse merece respeito. Sem contar que joga o fino da bola. Em desvantagem em relação aos franceses, do ponto de vista físico, terão pouco tempo de se recuperar. Mas no futebol nem só a técnica prevalece, como ficou provado hoje. Contra a França  domingo, sou Croácia desde criancinha.

9 de julho de 2018

O dia em que um juiz de 1a. instância tripudiou sobre um desembargador


Sempre ouvi dizer que decisão judicial não se discute, cumpre-se e depois recorre-se, para anulá-la se for o caso. E o que acontece quando um juiz de primeira instância desqualifica o despacho de um magistrado hierarquicamente acima dele?

O juiz Moro parece mesmo ter se transformado numa espécie de “vaca sagrada” da mídia tradicional, principalmente do sistema Globo de Comunicação. Durante toda a tarde de ontem e manhã de hoje,  os “juristas” globais (Gerson Camarotti, Merval Pereira e pasmem, até o dublê de analista econômico, Sardemberg) detonaram o desembargador Rogério Favreti, sem no entanto fazer qualquer referência a atitude descabida (neste caso específico) do juiz de primeira instância Sérgio Moro, que cada vez mais, se auto-declara algoz do ex-presidente Lula.

Hierarquicamente abaixo de Favreti, Moro tentou desqualificar o despacho do desembargador do TRF-4, questionando a sua competência para decidir favoravelmente a um pedido de habeas corpus em favor do réu preso. O caso, entenderia qualquer cidadão medianamente informado,  não está mais afeto a Moro, porque apesar de ser o autor da sentença original, não é ele o responsável pela execução penal. Some-se a isso o fato de estar de férias, fora do país segundo consta, e por telefone, deu ordem para a Polícia Federal descumprir a ordem judicial de um magistrado da segunda instância.

Não precisa ser advogado para compreender que o juiz Moro agiu politicamente. Não precisa nem recorrer a um jurista pró-Lula para ver que Moro anda querendo brincar de Deus. Basta ler este relato da repórter Bela Megale, do insuspeito (no caso) o Globo:
“Por volta das 10h, o delegado Roberval Ré Vicalvi chegou à Superintendência e passou a centralizar a operação, recebendo as ligações dos magistrados e da cúpula da corporação. O primeiro a entrar em contato foi o juiz Sergio Moro, que destacou a ordem de não soltar Lula após o seu despacho afirmando que Favreto não tinha competência para decidir sobre o caso. [na verdade, “seu despacho” de gogó, porque o “de papel” tem registro às 12:05 h].

Naquele momento, Moro, que trabalha sempre em sintonia fina com a PF, já tinha falado com integrantes da cúpula dos policiais que poderiam manter Lula preso com base na decisão dele. O delegado chegou a argumentar com Moro que seu despacho não tinha validade de contra-ordem à determinação do TRF-4 e que ele não poderia manter o petista preso.

Diante da insistência do magistrado, Ré Vicalvi ligou para seus superiores que o ordenaram a cumprir o pedido de Moro e manter Lula na cela”.
O que veio depois foi a manifestação do relator da Lava-Jato no TRF-4 , João Gebran Neto, validando a desqualificação do despacho do colega de tribunal e dando guarida a um magistrado de instância inferior.

Que não me venham dizer que o que comento aqui é coisa de simpatizante do petista, porque não é esse o caso. O caso concreto é que, o descumprimento de uma ordem judicial superior, por quem caberia apenas obedecê-la , põe em xeque a saúde das instituições e dá margem a questionamentos do tipo “que país é este?”.

8 de julho de 2018

O xadrez da sucessão


O PT vai levar a candidatura do Lula até 15 de agosto, data limite para registro das chapas de presidente no TSE.  Só apartir de então, o Tribimal Superior Eleitoral vai examinar as condições de elegibilidade (ou inelegibilidade) de Lula e dos demais concorrentes. O que deverá acontecer é que Lula não passará pelo filtro daquela corte, que é presidida pelo ministro Luiz Fux. Mas caberá recursos e aí, Lula continuará candidato, porque a Lei Eleitoral prevê que enquanto não se esgotar a possibilidade de recorrer, o petista será candidato. Moral da história: engana-se quem pensa que o Partido dos Trabalhadores está pensando em plano B.

Essa realidade  aumenta as chances de Bolsonaro, que exatamente por isso vai continuar buscando a polarização com Lula, colocando-se no outro extremo e, claro, alimentando a PTfobia, que pode ser traduzida nessa carga irracional de ódio do petista que toma conta do país.
É possível que tenhamos um quadro diferente quando a campanha começar pra valer? É possível sim, mas aí vai depender do poder de articulação de Ciro Gomes e da musculatura que ele irá acumular até o fechamento das convenções. Não é por outra razão que ele está batendo em Bolsonaro, que é de uma fragilidade discursiva de dar inveja ao Tiririca.
Outro cenário que pode ser favorável ao pedetista é o da rasteira que Fernando Henrique e Michel Temes tenta passar em Geraldo Alckmin, que seria substituído na disputa por João Dória. Dória sim, se identifica imediatamente com a extrema direita e seria, a rigor, o grande adversário de Bolsonaro. Se ele for candidato, a possibilidade dos dois morrerem abraçados é muito grande.

Portanto acho, modestamente, que FHC e o TEMERário MiSHELL prestariam um grande serviço para o Brasil, se defenestrassem  o “picolé de chuchu” e colocassem na pista  o “Mauricinho da Paulicéia” .

Vão, enfim, corrigir as cagadas do "Transtorno Norte"

” O deputado federal Ricardo Barros (Progressistas) e o coordenador de projetos governamentais da Prefeitura, Marco Meger, se reuniram, nesta quarta-feira (4), com o diretor de planejamento e pesquisa do DNIT, André de Araújo, para tratar do projeto de duplicação dos viadutos do Contorno Norte. Barros destacou ao DNIT a relevância do projeto para […]”.

. Blog do Diniz Neto

Meu comentário: continuo intrigado com o fato de que ninguém questiona o absurdo que foi fazer   o Contorno Norte , que eu prefiro chamar de Transtorno Norte, com aqueles viadutos saci. E nisso não culpo apenas os irmãos Barros (Ricardo e Silvio). O governo do PT também pisou feio na bola, ao liberar , via Ministro Paulo Bernardo, esta anomalia. Lembro  que em 2006 , quando o então Ministro do Planejamento  assinou a primeira ordem de serviços para a execução do projeto, o custo anunciado para a obra era de R$ 176 milhões. Acabou passando dos R$ 400 milhões. Um escárnio.
Nunca é demais ressaltar que o Contorno (que não contorna) foi projetado com aquele traçado há mais de 30 anos pelo então prefeito Said Ferreira, quando ali era só café. Quando o projeto começou a sair do papel, a região já estava densamente povoada e a tal via expressa acabou virando uma avenidona perigosa, que  transforma os bairros localizados do lado Norte  em bairros de Soweto, pois dificulta (e muito) a ida e vinda de quem mora do lado de lá e portanto, segrega. Sem contar que fizeram duas marginais perigosíssimas, com passarelas  que mais expõem do que protegem do perigo de atropelamento  os pedestres que delas se utilizam.

7 de julho de 2018

DEIXEM-NO FALAR!


De um comentarista da Jovem Pan sobre Bolsonaro:
“Querem derrotar Bolsonaro? Deixe-no falar. Abram os microfones e deixem-no falar à vontade. Porque qualquer eleitor medianamente informado verá que ele não tem condições mínimas de ser presidente. É um tosco, com total desconhecimento sobre a natureza da atividade pública. Não sabe direito nem qual é na verdade o papel de um parlamentar, mesmo sendo deputado de vários mandatos. O que esperar de um presidenciável que diz que o sistema carcerário brasileiro não está saturado, porque preso é mesmo para ficar empilhado? Qque presidenciável repetiria que seu negócio é comer gente? Ou diria que os quilombolas não servem nem para procriação e que são pesados em arroba?”. 

2 de julho de 2018

Eram todos pobres, quase todos pretos...


A primeira edição de CAPITÃES DA AREIA, que saiu em 1937, pouco depois de implantado o Estado Novo, foi apreendida e queimada em praça pública. A segunda edição circulou só em 1944, como se a grande obra de Jorge Amado surgisse das cinzas, tal qual uma Fênix. Li CAPITÃES DA AREIA quando fazia o curso de admissão ao ginásio no Grupo Escolar Loyde Novaes, hoje Escola Estadual Brasílio Itiberê, na Zona 2.

Tempos atrás, passando por um cebo no Largo da Ordem, em Curitiba, me deparei com um exemplar da 65ª. edição de CAPITÃES DA AREIA. Comprei-ô-ô, para presentear a mim mesmo. Mas não o havia lido. Só agora, mexendo num guardados aqui em casa, localizei o livro, que estou devorando nesses dias de Copa do Mundo e período pré-eleitoral. Editado em várias línguas (seguramente mais de 10) e adaptado para o teatro e para o cinema, a vida dos meninos de rua da Salvador dos anos 30, traduzida de maneira quase profética pelo grande escritor baiano, é um retrato de ponto grande dos dias atuais. 


Nada mudou, a não ser o contexto histórico. Os adolescentes que a noite dormiam sobre o trapiche e de dia praticavam pequenos furtos na Salvador do itabunense Jorge não eram diferentes dos que hoje ocupam as cracolândias e fumódromos das grandes e médias cidades do Brasil. O preconceito de que são vítimas também não mudou, pelo contrário, ampliou-se e a dimensão da tragédia social retratada na obra de Jorge Amado é outra, pois foi ampliada pela concentração cada vez mais brutal de renda e oxigenada pelo preconceito que, usando a classe média idiotizada, a elite vem potencializando.

1 de julho de 2018

A tocaia


O deputado Wadih Damous (PT-RJ) chamou de "tocaia judicial" a decisão do ministro Edson Fachin, de cancelar o julgamento da segunda turma, do pedido de liberdade de Lula.
Na visão de Jorge Amado seria uma "Tocaia Grande".