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Lições do passado que a esquerda não aprendeu

Vi hoje na TV Senado um documentário maravilhoso sobre o Golpe de 1964, que derrubou o governo João Goulart , não pelos seus defeitos, mas pelas suas qualidades. O pretexto era o comunismo. Acusavam Jango de comunista quando na verdade ele era um grande fazendeiro, porém nacionalista e muito comprometido com a justiça social. Ao lado dele, um timaço de líderes políticos e intelectuais defendiam com incrível determinação as reformas de base. Isso, naturalmente, incomodava a elite brasileira, que incentivada pelos Estados Unidos, começou a cooptar oficiais de alta patente das Forças Armadas, principalmente do Exército, onde se destacavam generais como Castelo Branco, Golbery do Couto e Silva, Mourão Filho, entre outros.

Nesse documentário, depoimentos de ninguém menos que Darcy Ribeiro (uma das cabeças mais brilhantes do país em todos os tempos), Valdir Pires, Almino Afonso e o jornalista Mauro Santayana. Segundo Almino, então Ministro do Trabalho,o golpe começou a ser engendrado com a renúncia de Jânio e a resistência dos militares em permitir a posse do vice, João Goulart, que estava em missão oficial à China de Mao Tsé-Tung. Mas aí houveram todos aqueles arranjos do parlamentarismo, que depois o próprio Jango conseguiu derrubar por meio de plebiscito.
O projeto nacionalista de Jango, de colocar freio no capital estrangeiro e de levar adiante a reforma agrária, deixou a elite empresarial irada. E o discurso anticomunista se aprofundou tanto, que a Igreja Católica entrou na onda e assumiu definitivamente o seu papel na conspiração a partir da morte do Papa João XXIII.

Mas segundo Almino, o detonador do movimento conspiratório, que desaguaria na derrubada de Jango em 1º. De abril de 1964, foi uma carta escrita por ele, que o Jango enviou ao presidente John Kennedy, comunicando a recusa do governo brasileiro em colaborar com o envio de um navio de guerra com a invasão da Baia dos Porcos, de onde pouco tempo depois as tropas norte-americanas amargaria uma derrota humilhante , ao ser expulsas pelos comandados de Fidel Castro, a quem a Casa Branca pretendia derrubar.

Num encontro formal que os dois presidentes teriam em Washington tempos depois desse episódio, Kannedy ameaçou Jango: “Você vai pagar caro pela negativa de apoio”. E pagou realmente, não mais sob o governo Kennedy, porque ele havia sido assassinado, mês pelo sucessor Lyndon Baines Johnson. O resultado final dessa história foi o golpe que jogou o Brasil no obscurantismo de 1964 a 1985.

O documentário deixa em quem o assiste a percepção de que , guardadas as devidas proporções e ressalvadas as respectivas circunstâncias históricas, o Brasil está diante de um quadro muito parecido. E a esquerda, que não formou um bloco monolítico nem na Frente Ampla, para se contrapor aos militares e restaurar a democracia, parece que não aprendeu a lição.

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