Sérgio Moro deu entrevista à CNN e mostrou-se despreparado e por fora de tudo quando foi instado sobre problemas sociais. Não consegue se aprofundar em nada, não vai além do senso comum, seja qual for o tema abordado. Ele só não é tão raso quanto seu ex-chefe Bolsonaro, mas consegue ser pior do que o cabo Daciolo. O papo do ex-juiz tem a profundidade de um pires. Essa é a terceira via que a Globo e certos setores da elite e da classe média metida a besta defendem?
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Como, porém, tem como principal critério da sua “ciência médica” bajular Jair Bolsonaro, a condicionou à apresentação de uma prescrição assinada por um médico de que o menino ou menina deve ser vacinado.
Nenhum problema, claro, para as crianças que têm um pediatra ao alcance do telefone, senão o de passar no consultório e pegar, com a secretária, a ‘receita’ para a criança.
Para os milhões de pais e mães que não têm dinheiro para ter um pediatra particular e que dependem, quando há, de um médico já sobrecarregado do serviço público de saúde.
O resultado, claro, será que as crianças mais pobres, pelas dificuldades, pelo medo irracional que assim se lhes injeta e pela desistência natural de ter de faltar ao trabalho, esperar semanas por um “consulta” e até pela falta de dinheiro para o transporte, ficarão sem a prescrição e sem a vacina.
É coisa sórdida, de gente sem caráter e sem humanidade.
Herodes é sanguinário. Por segurança mandou matar todas as crianças de Belém e arredores de dois anos para baixo. Assim não escaparia o menino Jesus. Então se ouviu um dos lamentos mais comoventes de todas as Escrituras: “Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos assassinados e não quer ser consolada porque os perdeu para sempre” (Mt 2,18).
Os Herodes se perpetuam na história. Entre nós temos um que não ama a vida, que zomba do vírus letal, que não se compadece das lágrimas e choros de milhares de famílias que perderam filhos, irmãos, parentes e amigos.
Pessoas que não se sentem consoladas enquanto não se fizer justiça. Nega proteção vacinal a crianças e a jovens entre 5 a 11 anos. Eles podem ser contaminados, contaminar e até morrer.
Não quer porque não quer, na contramão da ciência e dos países que estão vacinando suas crianças. Acostumou-se ao negacionismo, parecendo ter feito um pacto com o vírus.
Ouvem-se vozes de pais e de avós, vindas de todos os lados: “quero a vida de meus filhos e filhas; quero que os vacinem; quero que vacinem meus netos e netas”.
Como o faraó, endureceu seu coração e alimenta o propósito do Herodes do tempo do menino. Mas haverá sempre uma estrela, como a de Belém, a iluminar nossos caminhos. Por mais perverso que seja o nosso Herodes não pode impedir que o sol nasça cada manhã nos trazendo esperança, aquele que foi chamado “o sol da esperança”.
Essa alegria é inaudita: a nossa humanidade, fraca e mortal, a partir do Natal começou a pertencer ao próprio Deus.
Por isso algo nosso já foi eternizado pelo Divino Menino que nos garante que os Herodes da morte jamais triunfarão.
Feliz Natal a todos com muita luz e discreta alegria.