Ou o Brasil derruba Bolsonaro ou Bolsonaro derruba o Brasil. Ou o Conselho Deliberativo derruba o presidente do Santos ou o presidente do Santos transforma o peixe em um novo Cruzeiro.
Sérgio Moro deu entrevista à CNN e mostrou-se despreparado e por fora de tudo quando foi instado sobre problemas sociais. Não consegue se aprofundar em nada, não vai além do senso comum, seja qual for o tema abordado. Ele só não é tão raso quanto seu ex-chefe Bolsonaro, mas consegue ser pior do que o cabo Daciolo. O papo do ex-juiz tem a profundidade de um pires. Essa é a terceira via que a Globo e certos setores da elite e da classe média metida a besta defendem?
Comentários
Certamente essa droga é direcionada àquele pessoal conservador, certinho, que se diz cristão, mas que no fundo faz tudo ao contrário do que prega.
Acreditar que o Estado vai derrotar as milícias é acreditar que o Estado vai enfrentar a si mesmo. A milícia não é um poder paralelo. “A milícia é o Estado”, já afirmou o sociólogo José Cláudio Souza Alves, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e que estuda o assunto desde o início da década de 90.
Entre os milicianos há deputados, vereadores, policiais na ativa, bombeiros e servidores públicos. Ações contra as milícias muitas vezes vazam, como pode ter acontecido na tentativa de prisão do ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, em 22 de janeiro passado. Ele está foragido desde então. É suspeito de comandar milícias em Rio das Pedras e outras comunidades da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e de participar do grupo de assassinos conhecido como Escritório do Crime. Sua mãe e sua mulher trabalharam no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador. O político lhe conferiu, em 2005, a Medalha Tiradentes, a mais importante honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
No Congresso Nacional costumam se unir as bancadas do boi (agronegócio), da bala (indústria de armamentos) e da Bíblia (evangélicos). O agronegócio não é tão forte no Rio — embora o outrora poderoso deputado estadual Jorge Picciani, hoje em prisão domiciliar, fosse proprietário de centenas de cabeças de gado —, mas milicianos e evangélicos têm presença crescente nos Legislativos municipais e no estadual.
Governador e prefeitos não conseguem ter maioria sem negociar com esses grupos. E negociar significa fazer concessões, como favorecer ou fechar os olhos para construções irregulares. Wilson Witzel, desconhecido até as vésperas da eleição de 2018, não se elegeu governador apenas graças ao discurso linha-dura. Teve o apoio de políticos ligados às milícias e às igrejas neopentecostais. Esses grupos também apoiaram a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência.
Bolsonaro é chamado de ditador e de fato deseja impor uma ditadura, mas ele não está em condições de fazer o que deseja. A oposição gostaria de derrubar Bolsonaro, mas parece ter se convencido de que é melhor desidratá-lo dentro e fora do país com ajuda da imprensa.
A pandemia, um obstáculo sanitário à realização de mobilizações de rua, impõe uma trégua forçada por tempo indeterminado. Como o Impeachment não pode ser impulsionado por demonstrações evidentes de superioridade nas ruas, o conflito entre o governo e a oposição se deslocou do espaço geográfico para o virtual.
Na internet a vantagem da oposição foi garantida pela destruição do gabinete do ódio comandado pelos Bolsonaro. Como não pode mais espalhar Fake News no Twitter, no Facebook e no WhatsApp, o presidente desidratado faz o que pode. E de fato ele não pode fazer nada mais do que ser bicado ao alimentar as emas e ganhar alguns aplausos ao oferecer cloroquina à turba de seguidores fanáticos.