O governo Bolsonaro
está atoa na vida vendo a banda passar. Não tem uma única ação no sentido de
chamar governadores, prefeitos e parlamento para pensar o Brasil da
pós-pandemia. Vai esperar voltar a onda de saques e explodir a violência urbana para depois
tentar encontrar uma saída para a tragédia social que se avizinha?
Sérgio Moro deu entrevista à CNN e mostrou-se despreparado e por fora de tudo quando foi instado sobre problemas sociais. Não consegue se aprofundar em nada, não vai além do senso comum, seja qual for o tema abordado. Ele só não é tão raso quanto seu ex-chefe Bolsonaro, mas consegue ser pior do que o cabo Daciolo. O papo do ex-juiz tem a profundidade de um pires. Essa é a terceira via que a Globo e certos setores da elite e da classe média metida a besta defendem?
Comentários
Nasci e fui criado no interior do Paraná.
Sou de uma família que trabalhava muito e ganhava pouquíssimo.Dependendo da época, não tinha nenhum tostão.
Na década de 1950, médico nas cidades do interior era raridade.
Já nas áreas rurais delas, com estradas ausentes ou precárias, como a minha família, médico só em sonho.
Assim, quando alguém ficava doente em casa, a solução era fazer chá, ir à vizinha benzedeira ou rezar e fazer promessas para os mais variados santos e santas.
Na nossa região, os pedidos, na maioria das vezes, era para Nossa Senhora Aparecida.
E se o “milagre” se concretizasse, mesmo com parcos recursos, a família tinha que viajar até a cidade de Aparecida do Norte (SP), para pagar a promessa.
Na nossa região, ir ao médico só em ultimíssimo caso.
Afinal, significava levar embora todas as economias. Ou pedir fiado (favor, que vergonha!) para pagar depois da venda de parte da safra, alguns porcos, galinhas ou boi. Mas pagava.
O pobre sempre foi muito honesto.
No Brasil, estruturalmente, sempre houve — e há até hoje! — déficit de médicos e de serviços públicos, o que levava a população a buscar outros recursos para a cura de suas doenças.
Apesar da falta de serviços públicos de saúde e médicos, essa carência gritante nunca mobilizou a sociedade em geral para um debate relevante, de peso.
Por que esse assunto nunca “ganha” a sociedade?!
Bem, acho que a “sociedade” é constituída predominantemente por uma classe média que se mais preocupa com bens materiais e questões supérfluas, na maioria das vezes, individuais e pessoais.
Essa classe média não tem consciência do coletivo e de direitos, como saúde e escola pública de qualidades para toda a população.
Isso ficou muito presente nas cidades dos anos 1960 a 1980.
Nesse período, ocorreram grandes migrações da zona rural para as periferias das cidades. Uma verdadeira avalanche de migrantes pobres.
Estimam-se que, nas décadas de 1960-1980 — 43 mihões de pessoas saíram do campo para a cidade.
Nesse período, não havia serviços de saúde pública nem médicos disponíveis para atender todas as necessidades dessa população.
O SUS não existia e o serviço de saúde pública era escasso e precário.
Assim, mesmo nas grandes cidades, se o pobre precisasse de médico, ele não tinha dinheiro para pagar as consultas.
A alternativa então continuava sendo procurar ajuda dos benzedeiros e benzedeiras, os chás e as rezas, que passaram a ganhar visibilidade.
Só que, aí, como eles estavam mais próximos dos grandes centros médicos e da zelosa “sociedade”, eles passaram a combatidos e excrecados publicamente pelos “doutores da ciência”.
Doutores representados por entidades — associações médicas, conselhos, sindicatos — que nunca se preocuparam com a defesa do direito à saúde para toda a população.
Parêntese: Não me refiro aqui aos médicos e médicas que trabalham com dedicação em defesa da ciência, da saúde pública e da ética médica. Fechando parêntese.
Os benzedeiros e benzedeiras, os curandeiros e as curandeiras, passaram a ser vistos e tratados como charlatães.
Tanto que a questão ganhou artigos especiais no Código Penal, que estabelece que o charlatanismo e curandeirismo são crimes contra a Saúde Pública.
Mas, como toda a lei no Brasil, o nosso Código Penal também não é pra todos.
Bolsonaro é a maior prova.
Ao apregoar o uso da cloroquina, ele se comporta como vendedor de drogas milagrosas.
É, portanto, um charlatão.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) e os Conselhos Estaduais sempre muito cientes em denunciar as pessoas pobres que benziam, o que fizeram até agora em relação à conduta do charlatão Bolsonaro?
NADA!
Repito: NADA!
Como a maioria dos membros do CFM votou em Bolsonaro, não dá para esperar que faça alguma coisa.
Na época em que Dilma era presidenta da República, os membros do CFM sempre estavam no Congresso Nacional fazendo lobby contra o Programa Mais Médicos.
O Mais Médicos era para atender os pobres, aquelas pessoas que têm como referência benzedeiros, curandeiros, xamãs e pajés para atender os seus enfermos.
Sem médicos, essas populações continuam recorrendo a benzimentos, chás e rezas.
Caso tenha a suspeita de covid, recorre à cloroquina receitada por Bolsonaro e “abençoada” pelo CFM.
Esse cara parece que não nasceu de uma mãe e sim foi chocado cuspido. E impressionante a incompetência .
Agora o bozo só quer Inaugurar obras que o PT deixou em andamento QUASE COM 100% COMPLETA, COMO A OBRA DO RIO SÃO FRANCISCO QUE O PT DEIXOU COM 95% FEITO.
— Mas você é gay???
— Não.
— Então o que você tem a ver com a sexualidade dos outros???
— Ah, é que vai destruir a família!!!
— A sua família???
— Não, a minha não.
— Então o que você tem a ver com a sexualidade dos outros???
— É que não é natural!!!
— Hum... Você é Biólogo???
— Não.
— Então você é Antropólogo???
— Também não!!!
— Astrólogo???
— Não!!!
— Então o que você tem a ver com a sexualidade dos outros???
— É que Jesus disse que é uma aberração!!!
— Na verdade, não disse não, nem uma única palavra a respeito!!!
— Não. Mas tá escrito na Bíblia.
— Tá sim, lá no Velho Testamento, que também proíbe comer porco e camarão, sentar em uma cadeira que foi usada por uma mulher menstruada, acender a luz no sábado. Você evita tudo isso???
— Não.
— Então o que você tem a ver com a sexualidade dos outros???
— EU NÃO GOSTO!!!
— Ah, então o problema não é família, nem a natureza das coisas, nem os astros, nem a descendência, nem a suposta "opinião" de Jesus... O problema é que você não gosta, certo???
— É!!! Não gosto!!!
— Ok, MAS ENTÃO, MEU ANJO, O QUE VOCÊ TEM A VER COM A SEXUALIDADE DOS OUTROS?"