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A reforma da Câmara e a profundidade do pires

O Amém F.C. está se superando na arte escamotear. Essa reforma, que já torrou o saco de tanto que vai pra lá e vem pra cá, só servirá para empurrar essa legislatura ainda mais no rumo da lagoa de estabilização. O problema não é o número de CCs cortados, o problema todo está no nível de comprometimento da maioria com o fisiologismo desbragado, e desavergonhado. Era pra cortar X e agora querem cortar y. Era pra economizar U e agora querem economizar Z. Isso não muda nada. O que a sociedade cobra dos vereadores é mudança de comportamento, reformulação dos seus padrões éticos, é a leitura correta dos problemas da cidade. Havendo compromisso social e postura ética, o resto vem automaticamente. De que adianta a gente se ater a números e cifras , se independente do tipo de reforma que fizer, a nossa Câmara continuar sendo manipulada pelos interesses do grupo político que predomina na cidade? Cortar gastos é preciso, ter uma estrutura enxuta e compatível com o serviço que a casa de leis presta à sociedade é o mínimo que se espera de quem foi eleito pelo voto popular. Mas só isso não basta: as câmaras de vereadores formam o primeiro degrau da escala do Poder Legislativo. Só a partir delas é que poderemos melhorar a qualidade das assembléias legislativas e do Congresso Nacional. São as câmaras municipais que sintetizam a representação popular e é a partir delas que o sistema político gera a maioria das suas lideranças estaduais e nacionais. Portanto, alto lá com essa supervalorização de uma mera reforma administrativa! A Câmara gasta muito? Gasta sim, mas custaria barato para a sociedade se prestasse o serviço que dela a sociedade espera. Quando se fala em ética na política e em compromisso dos políticos com a sociedade, a discussão sobre a Câmara de Vereadores não pode patinar nas bordas do pires.

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