Pular para o conteúdo principal

A promiscuidade em CinemaScope

Vamos para mais um pleito sem novidades no viciado processo eleitoral. O governo mandou um arremedo de reforma política para o Congresso Nacional mas o projeto já tomou o caminho do arquivo morto na Câmara dos Deputados. Um dos absurdos propostos era o voto em lista fechada, o que convenhamos, acabaria com qualquer possibilidade de sangue novo em eleições proporcionais. Vamos imaginar, por exemplo, o PP do Paraná montando o seu quadro de candidatos a deputado em 2010. Com o esquema de lista fechada, quem entraria que os cabeças do partido não quisessem? O PP é apenas um exemplo, porque a exclusão se daria em todos os chamados partidos grandes. Talvez não nos pequenos que,ao contrário, lutam sempre para completar suas listas de candidatos.
O lamentável nesse arquivamento é o enterro prematuro do financiamento público de campanha. Não é possível que a democracia brasileira vá conviver ainda por muito tempo com a promiscuidade do caixa 2, que volta e meia crucifica um detentor de mandato, apenas como forma de dar satisfação à sociedade. Ou mesmo em casos de doaçõe legais, em que o eleito fica refém de seus financiadores, seja qual for seu calibre moral e ético.
O financiamento público por si só não poria um fim nesse caldo de cultura mal cheiroso, mas significaria um passo importante no caminho da moralização do processo eleitoral. Para a maioria das lideranças políticas do país, o financiamento público é desinteressante, como é desinteressante para muitas empresas e empresários que doam dinheiro por baixo do pano.
Então é assim: quando você assiste a um filme ruim e não quer sair antes do the end, surge do além a voz do inesquecível Zé Vasconcelos para lhe dizer em tom debochado:"Calma, o cavalo do mocinho vai demorar para sair da tela, pois o filme é em cinemascope".

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pronto, falei !

 Sempre ouvi dizer que decisão judicial não se discute, se cumpre. Por isso,não há que se questionar as liminares cedidas a grandes supermercados de Maringá que insistem em abrir aos domingos, apesar do caos sanitário que a cidade vive, com 100% dos leitos de UTI ocupados. Não discuto também, mas fico indignado com tanta falta de humanidade, de quem abre e de quem permite que abram.

Covardia diplomática

  Já passa de 200 o número de mortos no confronto Israel x Palestinos. Por obra e graça de Benjamin "Bibi" Netanyahu, Tel-Aviv massacra os palestinos da Faixa de Gaza. Isso vem provocando reações diplomáticas em todo o mundo, mas o Brasil continua em silêncio sepulcral. Bolsonaro, que batia continência para Trump e beijava a mão de “Bibi”, tem medo de se manifestar. Sabe que se externar apoio a Israel fica mal com a colônia árabe, que é muito grande no nosso país. E se censurar os ataques do exército israelense, se indisporá com o primeiro ministro carniceiro. Além de reticente, o governo brasileiro é covarde.