2 de janeiro de 2012

O buraco é bem mais embaixo

Confesso que ainda não tenho uma opinião formada e um conceito consolidado sobre o sistema de cotas. Mas a notícia de um concurso público para professores no Rio Grande do Sul , onde o governo reservou 18% das vagas para "afrodescendentes”, me fez aprofundar a reflexão. Comecei a ler artigos e diferentes posições sobre o tema. E uma historinha contada pelo jornalista Percival Puggina, da Tribuna da Imprensa (online) me ajudou a clarear as idéias. É o seguinte:

"Numa mesma rua de um mesmo bairro pobre, dois vizinhos, estudantes da mesma escola pública, com os mesmos mal remunerados professores, jogando futebol descalços com a mesma bola de meia prestam exame vestibular e tiram as mesmas notas. Por ser negro um consegue aprovação pela lei de cotas. O outro, por ser branco, não se classifica. Isso é discriminação racial".

Pronto, começo então a me render às evidências de que o sistema de cotas , ao contrário de fazer justiça ao negro, só serve para agravar ainda mais a discriminação racial no país.

Um comentário:

Jeferson disse...

Caro Messias,entendo sua dúvida. Sei que o sr é bahiano e não vou tomar seu tempo lembrando que este país cresceu economicamente às custas da escravidão(combatida heroicamente pelos seus conterrâneos). Apenas lhe coloco a seguinte questão: saia ás ruas daqui e observe quantos negros trabalham em bancos? quantos são médicos? professores da uem? quantos negros vc já viu trabalhando nos shoppings?donos de construtoras? temos vereadores negros?algum candidato a prefeito ano que vem?Será que os negros não gostam dessas ocupações? Qual a razão disso?A verdade é que somos um país racista e as oportunidades para os negros são menores... ainda.